16/08/2020
Ano 23 - Número 1.185



ARQUIVO SIMÕES

Francisco Simões
em Expressão Poética

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Francisco Simões



PARABÉNS PARA MIM



Francisco Simões, colunista - CooJornal


Gente amiga, amanhã eu creio que é dia 17 de agosto. Poderia e realmente é um dia como todos os outros, mas ocorre que eu nasci justo num dia 17/agosto, todavia no ano de 1936. Já lá vão tantos anos...

Se vocês que me prestigiam eventualmente com sua atenção e leitura deixarem, creio que pela primeira vez falarei desta vida e de família que tanto representa para mim. Então vou dizer umas coisas que, embora seja muito difícil, talvez eu nunca tenha dito ou escrito, melhor dizendo.

Meu saudoso pai e minha saudosa mãe haviam se casado sob as bênçãos de Nossa Senhora de Nazaré e foram morar onde já morava meu avô e minha avó no bairro do Marco em Belém do Pará.

Além de brasileiro sou paraense sim com muita honra. Aliás, quando eu nasci ninguém podia imaginar que a seguir, ou seja, nos anos posteriores nasceriam mais 9 irmãos e irmãs. Imaginem 10 irmãos e irmãs numa família só, claro.

Chegamos a ser 5 homens e 5 mulheres, um placar bem elástico convenhamos. A casa em que morávamos era própria e pertencia ao meu avô materno. Uma casa realmente muito grande como dificilmente se encontra hoje em dia.

Além da grande casa com cinco quartos e várias divisões na parte de cima, o escritório do meu pai, duas salas imensas, mais para trás havia a sala de jantar e de almoçar além da cozinha, 3 banheiros sendo apenas um com espaço e chuveiro para nos banharmos. Digo que, aliás, quase todas as casas daquela rua no bairro do Marco eram bem grandes mesmo como a nossa.

Não posso esquecer que ainda na parte de cima havia o grande pátio da frente. Já na parte de baixo da grande casa havia o porão bem grande, além de dois quartos e muita área. mais outro banheiro. Num dos quartos, o maior, dormiam cerca de três a quatro empregadas.

Ali se encontravam alguns aparelhos para fazer ginástica e foi onde depois de certa idade eu imaginei e comecei a criar a minha “rádio do porão”. A esta altura eu já tinha creio que uns 9 anos. Tanto fiz, tanto desejei que eu acabei passando no segundo concurso da Rádio Marajoara.

Vejam que na época eu tinha apenas 17 anos. Eram ao todo 50 candidatos e foram aprovados somente dois, eu e um grande amigo e primeiro aluno de minha classe no Colégio Nazaré de Irmãos Maristas. Faço questão de citá-lo, meu grande amigo e depois dono do Colégio Moderno, o Clodomir Colino. Saudades dele.

Outro dia falando ao telefone com minha irmã Maria Luiza que reside lá mesmo em Belém do Pará, ela me disse o quanto sentia de saudade da bela e imensa casa em que moramos quando criança e depois em parte de nossa juventude. É verdade, gente amiga, eu também sinto.

Acrescento que havia 3 quintais, ou seja, cada qual com uma finalidade. No primeiro havia uma grande entrada para os dois carros, do meu avô e do meu pai, e também uma boa garagem para os mesmos veículos. Um grande esquema para secar roupas e uma antiga jaqueira.

Ali costumávamos jogar voley e do evento participavam vários amigos e amigas da vizinhança, inclusive as quatro irmãs da família Caldas, nossas vizinhas. O grande poeta Alberto Cohen, paraense, também algumas vezes participava lá conosco deste esporte entre outros vários amigos.

A parte seguinte ou o segundo quintal tinha dois belos pés de jambo. Quando floriam o chão parecia de veludo. Outras árvores também estavam lá e na separação deste para o terceiro quintal havia de um lado um chiqueiro e do outro um galinheiro os dois sempre com “habitantes” que eram criados ali.

O terceiro e último quintal tinha uma área quase equivalente a um gramado de futebol. Dava muro para vários vizinhos. Ao fundo subia-se no muro e podíamos “roubar” frutas, inclusive cacau, muitos mesmo, do quintal da amiga Isa. Dali, algumas vezes quando criança já crescida, eu pulava para o quintal dos amigos Durães a fim de ir lá jogar bola com eles. É isso amigos e amigas.

Se chegamos a ser dez irmãos e irmãs hoje somos apenas cinco. A vida é assim mesmo. Dois homens e três mulheres já partiram desta vida. Que Deus os tenha.

Eu sei que hoje a casa em que moramos na infância e parte da adolescência não existe mais. O bairro mudou muito, aliás a cidade mudou bastante, podem crer. Belém continua linda embora hoje não seja a mesma em que eu vivi antes.

Mas amanhã não quero festa, isso não. Afinal para que comemorar uma idade que vai longe e que nem sei até quando deve continuar a existir! Digamos apenas que eu estou completando, como dizem, mais uma primavera.... bolas, primavera será que vale para mim?

Vamos viver enquanto Deus nos permite ficar por aqui. Só peço que me aceitem como eu sou. Quem gostar ótimo se por acaso alguém não gostar digamos que o problema é de quem fizer este juízo de mim, jamais eu mudarei. Sou como sou e gosto de mim assim. Repito, vamos vivendo até quando Deus nos permite. Obrigado família e amigos e amigas.   





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Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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