
09/02/2008
Número - 567 
ARQUIVO
SONIA ALCALDE
- O poder de uma
grande concha |
Sonia
Alcalde
O carnaval continua lindo |
 |

Bonecos gigantes de Olinda
A intenção era assistir aos desfiles pela
tv, especialmente os do Rio. Dá uma saudade... Aproveitar os dias lendo,
fazendo palavras cruzadas, conversando ou comendo uva e figo no fundo do
pátio. Um telefonema mudou tudo. A neta chegará daqui a algumas horas. O
que faz uma criança...
Na gestação, vai apertando os órgãos, pedindo espaço para crescer. A
coluna mudando de eixo, adaptando-se à novidade. Todos os dias uma
sensação nova. Enquanto isso, a casa transformando-se. Roupas miúdas e
quantidade de fraldas fazendo volume no quarto. Isso quando as fraldas
descartáveis não tinham chegado, agora quase que precisam de uma peça para
armazená-las. Depois, o nascimento e sentir-se a própria vaquinha — enche,
esvazia. Um fenômeno para mamas pequenas. O crescimento do bebê, as
primeiras gracinhas, as preocupações com febres e um sem número de
atividades colocando-o em primeiro lugar.
Os bebês crescem depressa e quando nos damos conta já estão indo para
escola, lendo, e agora, acessando. Com os filhos não tive que lidar com a
informática, até a puberdade. Neste novo tempo, os netos são noticiados
pela internet, a maternidade tem site e em todo canto do mundo
podem ver mais um habitante da Terra. Acompanhamos o desenvolvimento mesmo
à distância, em tempo real, ouvindo os chorinhos e as primeiras palavras.
Neste novo tempo, os avós precisam estar atentos aos códigos da tribo
reinventando o idioma. Que sempre existiram, só que em ritmo boca a boca,
no ócio das férias, a beira-mar. Tá ligado? “entendeu?” Sussa. “sossega”
Vencem uma competição musical no youtube.
Tempo de vídeos e kids canais que não eliminam a possibilidade de
ouvirmos “conte mais, vovó”, “ mais uma, vovô”. Os pimpolhos entrando no
mundo da imaginação pelo som de quem os ama profundamente.
Mostrei algumas fotos da vovó fantasiada em Itacuruçá e junto aos bonecos
gigantes de Olinda... Folheava o álbum emitindo muxoxos e risos.
Sentamo-nos no chão para assistir a reprise dos desfiles. Sem falar,
arregalou os olhinhos quando a águia azul apareceu, o tigrão com
tecnologia de Parintins encantando o Rio de Janeiro. Chegou a bacia cheia
de pipoca. Tudo muda e continuamos os mesmos, humanos precisando da beleza
do aconchego, mantendo a razão de viver.
(09 de fevereiro/2008)
CooJornal
no 567
Sonia Alcalde,
escritora, poetisa
Autora do livro "Estações do Eu", entre outros.
Bagé, RS
alcalde@alternet.com.br
|
|