Sonia
Alcalde
comilanças |
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Comida diferente é o que se espera encontrar
em viagem, mas cada vez mais as lanchonetes fast food estão
igualando os países. Sanduíches, batatas fritas e pizzas circulam na boca
dos povos. Acompanhados de enormes copos de refrigerantes que na terra do
tio Sam a reposição é livre, pode-se repetir quantas vezes quiser.
Não sou fanática nem desprezo esses alimentos, algumas vezes é a única
solução.
Em recente viagem aos Estados Unidos foi
possível fazer a maioria das refeições em casa. Menos caro e mais
saudável. Principalmente depois que assisti ao documentário Super Size
Me, de Morgan Spurlock, um dos indicados ao Oscar 2005 (melhor
documentário) e vencedor no Sundance Film Festival como
Melhor Diretor – Documentário, em janeiro 2004. No Brasil foi lançado sob
o título A Dieta do Palhaço. Tradução bem bolada. Spurlock, que é
o roteirista, produtor, diretor e protagonista deste documentário,
focaliza em diversos momentos a figura do palhaço, exibida pela rede
McDonald´s. Ela encanta e acostuma as crianças com seus produtos. Micaela,
minha neta, ainda não pousou o olhar nesta imagem. Não sei até quando.
O filme se baseia na experiência de Spurlock
que ingeriu, exclusivamente, comidas do McDonald´s durante um mês. As
conseqüências para a saúde foram desastrosas como aumento de peso, fígado
bastante afetado e comportamento lento nas atividades. Para reforçar sua
experiência, Spurlock entrevista Eric Schlosser, autor do livro Fast
Food Nation (País Fast Food). Apresenta estudos sobre esta
característica urbana que vem evoluindo assustadoramente nos Estados
Unidos e como são feitos os alimentos, especialmente as carnes (terrível).
O sedentarismo é outro fator que contribui para a mudança visual e
funcional de 1/3 dos americanos. As pessoas estão ficando enormes.
Adultos, jovens e crianças. Famílias inteiras.
Em Athens, na Geórgia, o problema
também aparece. O que ameniza é ser uma cidade universitária cuja idade
média da população é de 25 anos e de muitos países. Há incentivo para o
esporte e o uso de bicicleta como meio de transporte vem crescendo. Até os
ônibus têm suportes para bicicletas. Muitos estudantes moram longe e as
carregam para utilizá-las no campus central da UGA-
University of Georgia.
A concentração de estrangeiros em Athens
também possibilita contato com outras formas de alimentação. Aqueles que
querem se estabelecer na cidade encontram na área gastronômica um espaço
de trabalho onde conseguem mostrar sua cultura, temperos e sabores
diferentes. Num restaurante indiano, se aprovado o serviço, o cliente ao
sair pode tocar um sino de prata com formato da tromba de elefante. O som
passeia pelo ambiente envolvendo as pessoas.
Os mexicanos já representam 6,3% da
população de Athens e estão fazendo sucesso nos restaurantes criados por
eles. Ambientes simples, mas com nota alta pela saúde pública local. Os
donos exibem o documento como um troféu que é comprovado quando chegam os
pratos. Outros restaurantes e franquias na cidade nem sempre conseguem
atingir uma boa classificação. De entrada, os mexicanos servem
tortillas à vontade, comida popular em seu país. Lembram polentas
fritas super finas, acompanhadas de um molho de tomate misturado a
diversos tipos de pimenta e cominho. Deliciosas! Regadas a conversa, as
horas passam...
E a balança chora e ri diante do prazer de
comer. Desejo meu, existe alguém mais forte que eu?

Nota:
Este
artigo foi publicado no jornal Zero Hora/ Caderno Bagé, em 13 fev 2005. A
autora traz à tona inspirada em Helga Szmuk (http://www.riototal.com.br/voce-sabia/2007.htm)
“Em uma pesquisa nos Estados Unidos dividiram as crianças em dois grupos e
lhes deram a mesma comida, mas um grupo recebeu com embalagem e logomarca
e o outro grupo sem logo. 85% das crianças acharam a comida com logo muito
mais gostosa. Isto significa que propaganda funciona!”
Agora, Micaela,
neta da autora, tem 3a6m!!
(08 de março/2008)
CooJornal no 571