05/04/2008
Ano 11 - Número 575
SONIA ALCALDE
ARQUIVO
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Sonia
Alcalde
Mosquitos e choros, até quando?
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Robezilda comoveu-me. Chorava a morte do filho de 8 anos,
no Rio de Janeiro, vitimado pela dengue. Sonhos desfeitos em alguns dias.
Desfilando diante de meus olhos, filas enormes, a agonia de pessoas com
crianças ao colo aguardando por um atendimento, adultos desfalecendo, a
falta de vagas nos hospitais... Uma juíza deu 24 horas para o Estado e a
Prefeitura do Rio de Janeiro atender aos pacientes contaminados ou com
suspeita de dengue. Hospitais de campanha sendo montados pelas Forças
Armadas na Barra da Tijuca. Norte e Nordeste do país com notícias de
epidemia em trinta cidades, sete capitais. Criança de uma escola infantil
desesperada correndo atrás de um mosquito para matá-lo e nem era aedes
aegypti...
No início do século passado, a determinação médica para
erradicar a febre amarela - doença transmitida pelo mesmo tipo de
mosquito. A figura de Osvaldo Cruz é relembrada nos noticiários, o
movimento sob sua liderança para o saneamento do Rio de Janeiro, a
resistência a ponto de tumultos urbanos. Ele consegue atingir os objetivos
naquela época. Osvaldo Cruz falece em 1917. A doença reaparece em 1928 de
forma explosiva, e somente em 1957 foi considerada erradicada no Brasil
durante a XV Conferência Sanitária Panamericana. Agora, o aedes aegypti
volta a atacar em grupos estratégicos em qualquer canto, até nos pátios
das casas. Sendo resultado febre amarela ou dengue, os danos são
enormes.
No início do ano, corrida da população para tomar vacina
contra febre amarela. Estoques se esgotam. Não fiquei admirada. Em 2006
fui a um posto de saúde para receber esta vacina por causa de uma viagem
ao Equador. Enquanto era atendida, meus olhos se espantaram diante de um
mapa do Brasil indicando as áreas de risco, até no Rio Grande do Sul!
Desconhecia totalmente, senti-me desatualizada. Seria só eu? Perguntei a
um e outro, o espanto foi geral, estavam na mesma.
Veio da África durante a colonização. O aedes aegypti
começou a proliferar-se no século XVII e continua fazendo estragos. É a
vida nos cobrando continuidade de ação, respeito para convivermos
pacificamente e um dia podermos dizer, parafraseando Kleiton & Kledir:
deu pra ti... aedes aegypti. E só falarmos sobre o mosquito
que escreve de Cecília Meireles.
(05 de abril/2008)
CooJornal no 575
Sonia Alcalde,
escritora, poetisa
Autora do livro "Estações do Eu", entre outros.
Bagé, RS
alcalde@alternet.com.br
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