
Meios de transporte evoluíram e as charretes
continuam, permitindo enxergar certas cidades com o sabor do tempo. Mas
inovações também vêm acontecendo nas charretes. Aliás, não propriamente
nas charretes, mas nos cavalos que puxam as charretes. Tiradentes, em
Minas Gerais, e Savannah, no litoral da Geórgia, Estados Unidos, têm algo
em comum: colocam “fraldões” nos cavalos. Há quem conteste, eu achei boa
idéia para os que circulam na cidade. Se os pequenos dejetos dos cachorros
devem ser recolhidos por seus donos...
Em Athens, na Geórgia,
fazem e exportam charretes diferentes. Inspiram-se naquelas do século XIX,
da Escola de Belas Artes de Paris. Pequenos carros (charrettes, em
francês) passavam entre as mesas de trabalho dos alunos, no prazo final,
para eles colocarem seus trabalhos. As charrettes de Athens são
equipes do College of Environment of Design, da Universidade da
Geórgia, coordenadas pelo Prof. Pratt Cassity. Vão a cidades que desejam
sua revitalização histórica, arquitetônica e paisagística, resgatando
valores que as diferenciam. Com as lideranças, de forma intensiva,
acontece o estudo das características e problemas locais. E o que eles
querem para o lugar onde vivem. O documento final é organizado pela
Universidade que entrega à cidade como referencial para suas iniciativas
de melhoramento.
Constatei que as
charrettes têm dado certo, como em Harlem, na Geórgia, cidade natal do
Hardy, o gordo, da dupla cômica “O Gordo e o Magro”. A valorização do
patrimônio desta cidade pequena, com cerca de 5 mil habitantes, destacando
o Museu sobre a dupla famosa, a coloca no cenário mundial. Outro exemplo
encontrei no jornal The Telfair Enterprise, da Geórgia. Na sua
edição de 27 de outubro de 2004 apresentou o relatório final da
charrette realizada na cidade McRae-Helena, num encarte de oito
páginas. Inédito. Com isto, The Telfair Enterprise também entrou
para história.
Em 2004 fui a uma
charrette em Athens. Elegeram a principal artéria – Prince Avenue.
Avenida extensa com edificações seculares e descaracterização em alguns
trechos, afetando o conjunto. Num dos momentos da charrette, houve
passeio a pé. Fazia calor. Em grupos, reconhecemos o espaço físico e
social. Árvores nativas e adaptadas, centenárias. Carvalhos, ginko biloba,
“japanese maple”, magnólias... As árvores que ainda persistem é um dos
aspectos que os moradores mais gostam. Concordei, desfrutando de uma boa
sombra. Não entendia a profundidade até chegar o outono. As folhas se
exibem em tons marrom, pêssego, prata, amarelo e vermelho, ao lado de
verdes perenes. Aos poucos, cobrem as raízes protegendo-as do frio que
desponta. Deitam-se nos gramados e calçadas, deixando que as toquem. Sons
diferentes sob os pés. Puro carinho.
Conhecia de nome ginko
biloba, não em monumentos naturais. Contaram-me que especialmente os
moradores chineses não deixam desperdiçar seus frutos que caem em
profusão. E falam que na primavera a Prince Avenue é uma alameda
florida. Um dos motivos para retornar a Athens.
(19 de abril/2008)
CooJornal no 577