08/08/2008
Ano 11 - Número 593



SONIA ALCALDE
ARQUIVO


Sonia Alcalde
em Expressão Poética

 


 

Sonia Alcalde



OLIMPÍADAS DA ERA MODERNA
- Os heróis existem, mas são humanos – Parte I

 

Tenho acompanhado as Olimpíadas desde 1980. Na época, meus filhos eram pequenos. Apaixonaram-se por Mischa, o ursinho panda, mascote do evento em Moscou. Ao final, a lágrima que o imortalizou. Era uma época de crise. Os organizadores não contavam com a decisão do governo soviético invadir o Afeganistão. Em protesto, os Estados Unidos não compareceram às Olimpíadas, apoiados por 60 países. Mas o sentimento transmitido por Mischa diluiu as ausências, tornando o evento inesquecível.

Em 1996, estava em Atlanta/EUA. A cidade preparava-se para sediar a XXVI edição. O que me chamou atenção foi uma enorme escultura em homenagem ao Barão de Coubertin, responsável pelos jogos da Era Moderna, e o design do pôster. Uma das regras para a criação do pôster das Olimpíadas é a inclusão dos cinco anéis coloridos que significam os continentes. As cores saíam de seus limites delineando um corpo atleta – belíssima criação.

Seria mais uma expectadora dos Jogos Olímpicos se não fosse o Curso de Criação Gráfica que concluí recentemente no SENAC-Bagé. A exigência de um trabalho final conduziu a imaginação para diversas possibilidades, até que me lembrei das Olimpíadas. Este é o tema. Comecei a pesquisar salvando os arquivos num Pen Drive. Já estava adiantada, com alguns slides prontos, quando a cachorra comeu o Pen Drive. Quase desisti. Sorte minha não tê-lo feito. Embarquei na história das Olimpíadas com o privilégio de conhecer seus passos desde a Antiguidade, hibernação e ressurgimento no final do século XIX pelo idealismo do Barão de Coubertin.


Uma festa pagã dos gregos, dedicada ao deus Zeus. Não se sabe quando foi criada, mas o termo Olimpíada é referente ao templo em Olímpia (hoje em ruínas), perto de Atenas, onde surgiram os jogos. Mas, somente a partir de 776 a.C começaram a registrar os nomes dos vencedores, sempre de 4 em 4 anos. Tornavam-se heróis, sendo premiados com uma coroa de ramos de oliveira, recebendo regalias como a alimentação paga pelo resto da vida, ou lugar reservado na primeira fileira dos teatros.

Dez séculos de glória e declínio. No século II a.C. começa o domínio romano sobre os gregos. Os jogos perdem sua identidade. O imperador Nero introduziu escravos para competir. Lutas contra animais selvagens animavam o público ávido por sangue e heróis. Por fim, em 394 d.C., os jogos são abolidos por Teodósio, também imperador romano. Ele convertera-se ao cristianismo.

Passados dezesseis séculos de silêncio, o francês Charles Louis de Feddy, mais conhecido como Barão de Coubertin, foi picado pela vontade de um autêntico atleta. Tomou conhecimento que no início do século XIX a Grécia tinha tentado reavivar os jogos. Cinco Olimpíadas realizadas cujos atletas eram somente gregos, mas não houve continuidade na iniciativa. Entusiasta, Coubertin viu possibilidades que o impulsionaram para fazer retornar o espírito Olímpico, ampliando a participação. Depositou sua fortuna neste sonho. Peregrinou por diversos países, recebeu muitos nãos. Persistiu. Numa célebre reunião em 23 de junho de 1894, na Universidade de Sorbonne, em Paris, consegue parceria com 13 países para reativar os Jogos Olímpicos. Neste mesmo ano, é criado o COI- Conselho Olímpico Internacional, tendo como Presidente o próprio Barão de Coubertin até 1925.

Finalmente, em 6 de janeiro de 1896, é realizada a I Olimpíadas da Era Moderna, em seu local de origem. Um egípcio contribuiu substancialmente para que pudesse acontecer. Georgios Averoff, arquiteto, rico armador, ergue gigantesco local para as provas, além de melhorar a infra-estrutura da cidade-sede do evento.

continua...

(08 de agosto/2008)
CooJornal no 593


Sonia Alcalde,
escritora, poetisa
Autora do livro "Estações do Eu", entre outros.
Bagé, RS
alcalde@alternet.com.br
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/sonia_alcalde.htm
Membro do Cultura Sul /Bagé

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