
Slides de Sonia Alcalde, colocando todos os posters
referentes ao texto.

Todo início é marcado
por dificuldades. Com as Olimpíadas não foi diferente e, mesmo depois de
tanto tempo, temos presenciado obstáculos testando a capacidade de
consenso, de persistência.
Paris foi a sede da II
Olimpíadas da Era Moderna. Apesar da participação de 22 países, a cidade
do Barão de Coubertin não lhe deu o apoio necessário. O grande número de
inscritos (1.330), a falta de observância ou interferência nas normas,
tornou o evento uma experiência desastrosa. Mas uma coisa memorável
aconteceu, as mulheres começaram a participar, apesar do Barão de
Coubertin ser contrário.
Continuando com a fase
ruim, a III edição, programada para Chicago, foi transferida para Saint
Louis, também nos Estados Unidos. Houve redução em 50% dos participantes,
sendo que apenas 51 atletas vieram da Europa. Como não bastasse, as provas
duraram cinco meses e, para culminar, ocorreu a primeira fraude das
Olimpíadas.
Os países
participantes fazem, então, um movimento pela inviabilidade da mobilização
mundial e querem as Olimpíadas somente num lugar – Atenas. Coubertin e
seus seguidores reagem perseguindo a idéia da realização em espaços
alternados privilegiando os países participantes, facilitando a união dos
jovens do mundo inteiro. Foi então que aconteceu uma edição extraordinária
em Atenas, nomeada como Jogos Pan Helênicos, em 1906, sem o patrocínio do
COI e considerada insignificante.
Recuperando o fôlego,
Coubertin, ainda na presidência do COI, organiza a IV edição em Roma, em
1908, mas foi suspensa. O vulcão Vesúvio, nas mediações de Nápoles, entrou
em erupção mobilizando toda Itália. Londres, então, sedia o evento.
Em 1912, Estocolmo
(Suécia) acolhe as Olimpíadas, de organização admirável. Foram
os primeiros jogos com a ajuda da tecnologia: cronometragem semi-elétrica
e foto-finish em cada chegada. Nos anos seguintes, o clima na
Europa fica tenso. Explode a I Guerra Mundial. As Olimpíadas de 1916 não
acontecem. Na
Antiguidade as guerras paravam quando começavam os jogos. Em nossa era, as
Olimpíadas param por causa das guerras.
Em 1920, foi a vez da
Antuérpia (Bélgica). Não teve muito público, o luto pela guerra ainda
permanecia, apesar de expressivo número de atletas. É a primeira vez que o
Brasil participa, com atletas do pólo aquático, natação, remo, tiro e
saltos ornamentais, surgindo o primeiro herói olímpico brasileiro, o
tenente do Exército Guilherme Paraense, vencedor do tiro com revólver.
Em 1924, as
Olimpíadas voltam a Paris. O evento é um sucesso. O Barão de Coubertin
considera ter completado seu trabalho. Aposenta-se da Presidência do COI.
A saída do Barão de Coubertin favorece as mulheres cujo número dobra em
participação nas Olimpíadas de Amsterdan, na Holanda, em 1928. O evento
seguinte, em 1932, é sediado por Los Angeles, tendo como novidade uma
organização que conclui todas as provas em duas semanas.
Em 1936, Berlim
(Alemanha) é a anfitriã. A direção do COI temia prejuízo nos Jogos, mas
Hitler investiu pesado em seus atletas e na organização do evento. Foram
instalados circuitos fechados de TV para o público, transmissão de rádio
para 41 países e criado um serviço de transporte aéreo de documentários
através de zepelins, sendo que a maior novidade foi a criação do
percurso da tocha olímpica por diversos países, desde então adotada. Mas
Hitler teria que se revelar em algum momento. Nega-se a cumprimentar o
atleta negro Jesse Owes, do Alabama/Estados Unidos, que vence a maratona.
Nos anos seguintes,
duas Olimpíadas deixaram de acontecer, retornando em 1948. A II Guerra
Mundial provocou luto no mundo. Londres é a cidade-sede da XIV edição.
Época de “Jogos
da Austeridade”: os atletas se alojam em antigos quartéis da RAF (Royal
Air Force), há escassez de comida e as comunicações são difíceis.
Adaptaram os ambientes das provas e os países vencidos não foram
convidados pela organização das Olimpíadas. Mais uma vez, a política
interferindo nos Jogos.
continua...
(15 de agosto/2008)
CooJornal no 594