
08/04/2006
Ano 9 - Número 471

Arquivo
Tania Melo
- Alegria de uns poucos...
- Cotidiano em preto e branco
- Cuidado. Criança a bordo
- Cuidado com a rapadura
- Mamãe de gravata
- Rota alternativa
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Tania Melo
Gira, il mondo gira
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Em e-mail lido na PAX, grupo de poesias do qual, orgulhosamente, faço
parte, uma frase, criada por uma colega, durante um papo informal a
respeito de “tornarmo-nos doutos em determinado assunto, ou tema”,
deixou-me encantada.
“A vida é uma actividade lúdica que cada um pratica a seu gosto, como ela
consente.”
A palavra actividade, aparece escrita desta forma, porque a moça é
portuguesa, de origem e residência.
Apesar de a conversa não ser diretamente comigo, “meti a minha colher”, ao
ler esta citação, e disse-lhe, impressionada que ‘nesta brincadeira, a
vida lhe permitia criar, assim, de supetão, algo com tamanha
profundidade’.
Ela, assim como eu, questionava a postagem de outro colega que relatava
estar se dedicando intensamente a ler, pois pretendia vir a ‘saber tudo’
sobre literatura. Ora, isso é algo impossível, pois, a todo instante surgem
novos escritores, novos livros, novas formas literárias que nos agradarão
ou não, às quais teremos acesso, ou não. O que sabemos sobre o amanhã?
Há um renovar constante, em tudo, neste mundo, ainda que não o percebamos
claramente. Sendo assim, podemos até tornarmo-nos extremamente
conhecedores de um tema, porém nunca ‘saberemos tudo’ a seu respeito.
Jamais o esgotaremos. Isso somente seria possível se houvesse uma
estagnação do tempo, dos movimentos da Terra, e os seres animados se
tornassem imotos. Situação que, na realidade, graças a Deus, ainda não
ocorre.
Fatos comuns, corriqueiros, simples, provocam alterações em coisas já
dadas como certas e definitivas.
Lógico que existem as teorias A, B, X, Y, que se mantêm, por longo tempo,
até que alguém as conteste e apresente algo de novo sobre o assunto. Mas
basta levantar-se a polêmica para que já não ‘saibamos tudo’.
Por vezes, uma criança diz algo tão novo, tão novo, que nós, adultos,
inteligentíssimos e doutos, damo-nos conta de "não sabermos nada", ou,
certa manhã, um pássaro pousado em nossa janela, puxa um fio de nossos
cabelos, a brincar, e canta, como nunca ouvimos antes. E aí??? Onde foi
parar todo nosso aprendizado?
Que teoria poderemos utilizar num caso assim?
É uma exceção à regra, dirão alguns. Isso não basta para alterar-se o
conceito básico que temos sobre determinado fato, completarão outros, mas
o certo, minha gente, é que desejar ‘saber tudo’ a respeito de qualquer
tema nesta vida, é algo completamente absurdo. Uma utopia.
Neste exato instante, enquanto seus olhos fazem a leitura deste texto, uma
renovação já está acontecendo.
Corra às suas anotações, meu amigo, e acrescente, lá, mais este item. Um
novo aprendizado. E não feche a página, nem guarde a caneta, pois, em
alguns segundos já estará precisando usá-las, novamente.
(08 de abril/2006)
CooJornal no 471
Tania Melo é bióloga e escritora
Porto Alegre,
RS
tamelo@superig.com.br
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