
06/05/2006
Ano 9 - Número 475

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Tania Melo
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Tania Melo
Paixão devastadora
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Nesta semana acabei de ler "Os sofrimentos do Jovem Werther", de Johann
Wolfgang Goethe, e só posso dizer que me encantei.
Que poesia em prosa, meu Deus. Não havia lido nada, ainda, deste conhecido
e comentado autor. Apenas sabia de sua história, de sua biografia, assim,
por alto. Um pecado mortal. Uma enorme falha que sou obrigada a confessar.
Perdi muito por não tê-lo lido antes, mas, nunca é tarde. Ainda bem!
Segundo os editores, a literatura alemã divide-se em antes e depois deste
romance que, além de alcançar enorme sucesso, deu início à prosa moderna
na Alemanha. É uma história em cartas, mas vai muito além. É a narrativa
de um amor intenso, completo. Uma paixão totalmente arrasadora, que invade
a vida do personagem, levando junto o leitor, que viaja, se entrega,
sofre, se alegra, ri e chora com ele.
Existem informações que dão conta de inúmeros suicídios atribuídos aos
“Sofrimentos...”
Ele é profundo! Repleto de contrastes: Suave, doce, forte, de sabor
amargo. Enfim, uma história com ingredientes os mais diversos que,
conforme vai sendo degustada, desperta alegrias, tristezas, risos,
lágrimas, revolta e piedade.
Werther e Goethe são, na verdade, bastante semelhantes. Reside aí, uma boa
dose de autobiografia do autor, na figura do personagem. Goethe,
apaixonou-se, na vida real, por Carlota, que vem a ser a dona do enorme
sentimento nutrido pelo jovem Werther, na história.
O amor à natureza, é um dos grandes pontos que se destacam neste romance.
Através dele, o personagem busca alcançar a plenitude, por meio das
experiências mais profundas de sua alma em contato com este mundo.
Uma dentre as inúmeras passagens do romance que me encantaram e demonstram
o que falo, é "...Dá-se com a distância o mesmo que com o futuro. Um
horizonte imenso, misterioso, repousa diante de nossa alma. o sentimento
nele mergulha como o nosso olhar e desejamos...entregar todo o nosso ser
para nos consubstanciarmos num grande e magnífico sentimento...corremos,
voamos e quando lá chegamos, quando o longe se faz perto, nada se alterou,
e nós encontramo-nos com nossas mesmas misérias, com os mesmos e estreitos
limites, e de novo a nossa alma suspira pelo mesmo bálsamo que acabou de
se esvair".
Tenho certeza de que qualquer pessoa que leia este trecho, concordará com
a beleza da descrição, bem como com a verdade da constatação de Goethe,
vista pelos olhos do seu personagem.
Esta prosa, datada de 1774, não tem idade. Não há como dizê-la
ultrapassada, pois nunca o será.
Existem coisas que são imutáveis. As grandes verdades assim o são. "Os
sofrimentos do jovem Werther" nos coloca diante destas e de uma história
imperdível que, simplesmente, devorei e pretendo reler, reler e reler.
(06 de maio/2006)
CooJornal no 475
Tania Melo é bióloga e escritora
Porto Alegre,
RS
tamelo@superig.com.br
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