
27/05/2006
Ano 9 - Número 478

Arquivo
Tania Melo
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Tania Melo
Se você não “colocar nada no correio”, nada receberá de volta. |
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Não adianta esperar por uma carta ou um telefonema se você não deu a
ninguém razão para escrever-lhe ou telefonar-lhe. Você tem de tomar a
iniciativa.
Existem pessoas que não “enviam” nada para os outros e reclamam o tempo
todo por não estarem “recebendo”.
Acusam o mundo de injusto, as pessoas de mal-agradecidas, sentem-se
relegadas a um segundo, terceiro ou último plano.
Mas sequer se dão conta de suas falhas. De seu individualismo. De que
vivem fechadas em seu mundinho, com a caixa de coleta aberta, apenas
aguardando.
O que pode acontecer com uma pessoa deste tipo? Por algum tempo poderá ter
alguns amigos atenciosos, que, bastante persistentes, irão procurá-la,
convidá-la para alguns lugares, mas, mesmo esses, como qualquer ser
humano, desistirão, por cansaço, por nada receberem em troca, por
silenciosas respostas a todos os seus afetos e “envios”.
E este alguém ficará só. E por estar só, irá sentir-se mais triste. E por
sentir-se mais triste, irá julgar a todos os que se afastaram,
condenando-os, sumariamente: “Injustos e falsos amigos. Só aparecem nas
boas horas”.
Só que ele se esquece que as horas boas não vêm voando para nós, assim,
como num toque de magia.
É preciso conquistá-las, buscar por seus amigos, divertir-se em sua
companhia, fazê-los rir e adorarem estar ao seu lado.
Quem não entende isso, pode acreditar, acabará isolado.
Se quiser receber, dê em troca. Se quiser ser presenteado, presenteie,
antes.
Se quiser ser feliz, faça os outros mais felizes com sua presença. Não
seja aquela pessoa que só aparece para contar tristezas ou para queixar-se
da vida.
Claro que todos nós temos fases em que precisamos de nossos amigos, de um
ombro para chorar, ouvidos para escutarem nossas mágoas e corações para
entendê-las. É ótimo ser acarinhado, sim. Mas, para isso, precisamos
acarinhar, ouvir, abraçar e oferecer o ombro, numa proporção bem maior do
que desejamos receber, pois somos um para vários. Agindo assim, teremos
vários para um, quando necessitarmos.
Quem é que gosta de só ouvir lamúrias, de só receber negativas a seus
convites, de só “enviar”, sem nada “receber”?
Você não gosta, não é mesmo? Você se sente triste quando os outros agem
assim, não é verdade?
Dê uma boa olhada em sua caixa de correspondências e veja em que proporção
você está “enviando” e não apenas “aguardando” a chegada de respostas a
suas ausências, de comentários a seus silêncios.
Aquele seu amigo que está longe, há tanto tempo, será que deixou de gostar
de você, ou sentiu-se relegado, abandonado e, por isto, afastou-se,
calou-se?
Olha, se você encher a sua caixa de “envios” hoje, amanhã e depois,
acredite, na próxima semana não dará conta de abrir todos os
“recebimentos” que virão.
Do contrário, meu amigo, lamento...
(27 de maio/2006)
CooJornal no 478
Tania Melo é bióloga e escritora
Porto Alegre,
RS
tamelo@superig.com.br
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