10/06/2006
Ano 9 - Número 480


 
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 Tania Melo


 
Tania Melo
 


Razão e Proporção
 

 

Dia de festa na casa dos Gonçalves. Cinco anos da Fabiana. Menina que mais parecia uma princesinha, de tão linda, tão sorridente e tão esperta. Amada por todos que a conheciam.

Sua fotinho brilhava nos jornais da cidade. Era um encanto!

A casa lotada. Pessoas rindo, muito alegres. Crianças por todos os lados, brinquedos, balões, música abafada pelo chilrear dos ‘passarinhos’ que invadiam todos os espaços. O cenário de uma verdadeira festa infantil, que deixa os adultos um tanto atordoados, mas que faz a felicidade de toda a piazada.

Mais um toque de campainha. Outra família que chegava. Ela, na pontinha dos pés, com os olhinhos brilhando, recebia os abraços e os presentes, que, imediatamente, abria, rasgando os belos pacotes feitos com tanto esmero, quase encoberta por seus amiguinhos, tão curiosos quanto a própria.

E o tempo passando...

Hora do parabéns a você. Todos em volta da mesa, muitas palmas, apagar das velinhas, ao som do conhecido É big! É big! É hora! É hora...ratimbum...Fabiana, Fabiana!!!

Em seguida, um, dois, três, fogo... docinhos e salgadinhos enchiam as boquinhas lindas e que não se atrapalhavam entre o comer, gritar, cantar e rir muito, enquanto saltitavam para lá e para cá, numa inquietude própria de suas idades.

Durante toda a tarde como num ciclo, as cenas se repetiam: chegada de famílias inteiras, recebimento de abraços, presentes abertos na maior euforia e muita brincadeira, músicas, dança, docinhos, refris, salgadinhos e algazarra.

Ao encerrar-se a festa, depois que todos já haviam se retirado, ela foi conosco até o supermercado próximo de sua casa, onde o proprietário era seu amigo.

Ele, feliz da vida, ao vê-la, abraçou-a muito e perguntou:

- Então, Fabiana, como foi a festa de aniversário?

A resposta dada nos deixou totalmente espantados:

- Tava boa! Um montão de gente, um montão de docinhos, um montão de salgadinhos... e um pingo de presentes!

Caímos na gargalhada. Foi impossível controlar.

Como é que uma família de três ou mais pessoas poderia vir acompanhada de apenas um pacote, por maior que fosse?

Chegamos à conclusão de que ela fez um cálculo mental, bastante rápido e dentro de sua lógica matemática, o número de convidados comilões, bem como a quantidade de docinhos e salgadinhos, fora inversamente proporcional ao número de presentes recebidos.


(10 de junho/2006)
CooJornal no 480


Tania Melo é bióloga e escritora
Porto Alegre, RS
tamelo@superig.com.br