
08/07/2006
Ano 9 - Número 484

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Tania Melo
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Tania Melo
Ousar nos faz completos
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Todos já devem ter ouvido o relato sobre a experiência que é feita com uma
pulga em um vidro fechado.
O bichinho salta, salta, batendo na tampa, tentando pular fora do vidro.
Após várias tentativas, já não vai mais até a altura da tampa, pois vê que
é inútil e que se machuca. Então, ela “aprende” a pular mais baixo. Depois
disso, ainda que se tire a tampa e se deixe o vidro aberto, a pulga estará
“condicionada” e não mais saltará para fora. Assimila o espaço e fica
limitada. Não tentará mais nada diferente.
Esse tipo de experiência, transportado para nós, seres humanos,demonstra
que quando sofremos repetidas frustrações, também nos limitamos.
Acreditamos que aquilo acontecerá sempre da mesma forma e não mais nos
arriscamos a coisas diferentes que poderiam, tranqüilamente, dar certo e
nos levar a confiar e ampliar em muito a nossa capacidade de realizar, de
executar.
Por isso devemos nos arriscar, ainda que corramos o risco de sairmos
feridos, de não conseguirmos,de que saia tudo errado.
E se der certo? Só poderemos saber se experimentarmos. Se
ousarmos.Imaginem a surpresa que nosso próprio ‘eu’ terá ao se defrontar
com um acerto, com algo positivo, advindo de uma forma não costumeira, não
condicionada, ‘fora dos padrões’.
Todas as coisas que se nos mostram como impossíveis de acontecer, de serem
realizadas, devem ser muito bem analisadas, passadas por um microscópio
mental. Não podemos acreditar, sem questionar, nas definições
cristalizadas, que possuem respostas prontas, antecipadamente. Jamais
chegaremos ao final do arco-íris e nem teremos a possibilidade de
encontrar o pote do tesouro, se não andarmos sobre suas faixas coloridas.
Utópico? Sim, aparentemente. De uma forma metafórica isso quer dizer que
jamais devemos abandonar uma idéia apenas porque ela possa nos parecer
impossível de transformar-se em algo real.
Grande número das ditas ‘verdades irrefutáveis’, são questionáveis e, se
olhadas com bastante atenção,veremos que nada têm de irrefutáveis e, por
vezes, nem são verdades mas, sim, heranças falsas que recebemos e
aceitamos, conformados e impotentes.
Muitas vezes achamos que não merecemos conquistar o nosso ideal e, por nos
crermos sem merecimento, não ousamos. Agimos tal qual a pulga. A tampa já
foi retirada há muito tempo, mas nossas atitudes são tais como se ela
ainda lá estivesse, bloqueando o nosso avanço, não nos permitindo ir além
dos limites impostos por nós mesmos.
Se conseguirmos vencer a tendência a sermos submissos e bitolados,
alçaremos vôos até então inimagináveis, ultrapassando a linha do horizonte
e encontrando vários potes de tesouros, repletos de auto-confiança, idéias
cada vez mais criativas e realizações que nos tornarão pessoas inteiras,
na verdadeira acepção da palavra.
Olhe para cima e veja: a tampa não está mais lá. Pule alto, saia do vidro
e vá em busca de você.
(08 de julho/2006)
CooJornal no 484
Tania Melo é bióloga e escritora
Porto Alegre,
RS
tamelo@superig.com.br
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