22/07/2006
Ano 9 - Número 486


 
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 Tania Melo


 
Tania Melo
 


EU SOU, VOCÊ É, NÓS SOMOS INDECISOS



 

 

Por que negamos o sentimento que existe em nós, que pula e, agoniado, grita: Estou aqui! É isso que eu quero?

Ficamos pensando que o arrependimento pode estar ali, na primeira esquina. Trememos...

Pura indecisão!

Dobrar à esquerda? Virar à direita? Andar sempre para frente? Fazer meia-volta e caminhar sobre as próprias pegadas, ou apagar tudo e, mesmo retornando, trilhar outras estradas?

E se, de repente, não tivermos mais chance de voltar atrás?

Aí, então, ficamos nesse sofrimento, marcando passo, sem sair do lugar.

Não tomamos uma decisão por medo de nos ferir e, deste jeito, perdemos a possibilidade de acertar. Por não querermos arriscar, nos machucamos ainda mais. Sofremos a angústia do não fazer.

Ai, meu Deus... e se andar para diante não for o caminho certo?

Enlouquecidos, ficamos nos questionando. Como sempre se ouve dizer: "colocamos as barbas de molho".

O que devemos fazer? Complicado. O fato é que temos de seguir, dando atenção aos sinais que surgem durante a caminhada: apertos no peito, alívio, sorrisos ou lágrimas, tristezas ou alegrias, segurança ou seu inverso.

E se ficarmos sentados, sem escolher nada: nem o certo e nem o errado? Pior ainda! As chances passarão em branco, os amores irão embora... O tempo não pára e nós ficaremos para trás.. na janela, iguais à Carolina do Chico Buarque.

Eu gostaria de poder levar uma vida mais tranqüila, sem precisar tomar decisões diárias, num laissez-faire, como um grande período de férias, onde as coisas fossem mais lights e divertidas.

Como não é assim, neste momento vou para o teclado e escrevo esta crônica que já está mais do que na hora. Amanhã, quem sabe, não será mais possível fazê-lo.Qui lo sa...
 

 


(22 de julho/2006)
CooJornal no 486


Tania Melo é bióloga e escritora
Porto Alegre, RS
tamelo@superig.com.br