26/08/2006
Ano 10 - Número 491


 
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 Tania Melo


 
Tania Melo
 


Razão e sensibilidade


 

 

"Se é a razão que faz o homem, é o sentimento que o conduz."
Rousseau



Você é uma pessoa emotiva, ou se considera racional?

Todos nós conhecemos pessoas intensamente dominadas pela emoção, bem como, outras, duras feito rochas, nas quais prevalece a razão.

Tanto uma quanto a outra estão desequilibradas, pois a razão e a sensibilidade devem caminhar juntas. Não são antagônicas.

Para termos uma personalidade sem pender para nenhum lado da balança, precisamos ser ‘racionalmente emocionais’. Nem oito e nem oitenta.

Somos seres sociais. Não fomos criados para viver isoladamente, sem interagir, compartilhar. Sentimos prazer nessas ações. Só precisamos que estas emoções recebam a temperança da racionalidade.

A visão distorcida de que homem de verdade não chora, não se emociona, pois isso é coisa de fracos, incapazes, ou que serve para mulheres e crianças é uma baboseira que, infelizmente vemos repetida por aí, diariamente. Tantas vezes se ouve dizer que a pessoa é infantil, sensível demais, um bobo. As emoções seriam o vício dos poetas, o traço de insensatez dos loucos. O pior de tudo é que a mídia alimenta essa crença, como podemos ver em muitos filmes e até em desenhos animados, assistidos por nossas crianças.

Claro que existem exceções, mas ainda resiste muito a idéia de fraqueza ligada à emoção.

A emoção é considerada como sendo totalmente oposta à razão. Outra armadilha na qual nos vemos envolvidos.

O filósofo e matemático Descartes foi um dos que acreditou e defendeu tal visão, fazendo com que este equívoco se difundisse pelo estudo de seu método, que tornou- se muito célebre (Penso, logo, existo).

Só que, no final do século XX, vários autores surgiram, questionando estas certezas absolutas. Foi como se, num acender mágico de luzes, a ciência visualizasse que os poetas, os românticos, ao falarem sobre o sexto sentido, tinham mais razão do que os rígidos cartesianos.

Os sentimentos fazem parte da razão desde o começo.

Não há o desenvolvimento de um para cá e outro para lá, como ‘inimigos’, por assim dizer.

Sem emoções não há razão, sem emoções a inteligência se paralisa, fica vazia, não funciona. Essa é a conclusão a que chegaram os estudiosos. A razão e a emoção possuem pesos equivalentes e trabalham em conjunto.

Nós pensamos com ambas. Pensamos com o corpo, como dizia Einstein, ou citando Wittgenstein, ‘o corpo é a melhor representação da alma’. António Damásio, autor de “O erro de Descartes” fala que ‘o coração tem razões que a razão não ignora’.

“IQ gets you hired, but EQ gets you promoted” (Com o seu QI você arranja emprego, mas com o seu QE(quociente emocional) você é promovido).


 


(26 de agosto/2006)
CooJornal no 491


Tania Melo é bióloga e escritora
Porto Alegre, RS
tamelo@superig.com.br