"Se é a razão que faz o homem, é o sentimento que o
conduz."
Rousseau
Você é uma pessoa emotiva, ou se considera racional?
Todos nós conhecemos pessoas intensamente dominadas pela emoção, bem como,
outras, duras feito rochas, nas quais prevalece a razão.
Tanto uma quanto a outra estão desequilibradas, pois a razão e a
sensibilidade devem caminhar juntas. Não são antagônicas.
Para termos uma personalidade sem pender para nenhum lado da balança,
precisamos ser ‘racionalmente emocionais’. Nem oito e nem oitenta.
Somos seres sociais. Não fomos criados para viver isoladamente, sem
interagir, compartilhar. Sentimos prazer nessas ações. Só precisamos que
estas emoções recebam a temperança da racionalidade.
A visão distorcida de que homem de verdade não chora, não se emociona,
pois isso é coisa de fracos, incapazes, ou que serve para mulheres e
crianças é uma baboseira que, infelizmente vemos repetida por aí,
diariamente. Tantas vezes se ouve dizer que a pessoa é infantil, sensível
demais, um bobo. As emoções seriam o vício dos poetas, o traço de
insensatez dos loucos. O pior de tudo é que a mídia alimenta essa crença,
como podemos ver em muitos filmes e até em desenhos animados, assistidos
por nossas crianças.
Claro que existem exceções, mas ainda resiste muito a idéia de fraqueza
ligada à emoção.
A emoção é considerada como sendo totalmente oposta à razão. Outra
armadilha na qual nos vemos envolvidos.
O filósofo e matemático Descartes foi um dos que acreditou e defendeu tal
visão, fazendo com que este equívoco se difundisse pelo estudo de seu
método, que tornou- se muito célebre (Penso, logo, existo).
Só que, no final do século XX, vários autores surgiram, questionando estas
certezas absolutas. Foi como se, num acender mágico de luzes, a ciência
visualizasse que os poetas, os românticos, ao falarem sobre o sexto
sentido, tinham mais razão do que os rígidos cartesianos.
Os sentimentos fazem parte da razão desde o começo.
Não há o desenvolvimento de um para cá e outro para lá, como ‘inimigos’,
por assim dizer.
Sem emoções não há razão, sem emoções a inteligência se paralisa, fica
vazia, não funciona. Essa é a conclusão a que chegaram os estudiosos. A
razão e a emoção possuem pesos equivalentes e trabalham em conjunto.
Nós pensamos com ambas. Pensamos com o corpo, como dizia Einstein, ou
citando Wittgenstein, ‘o corpo é a melhor representação da alma’. António
Damásio, autor de “O erro de Descartes” fala que ‘o coração tem razões que
a razão não ignora’.
“IQ gets you hired, but EQ gets you promoted” (Com o seu QI você arranja
emprego, mas com o seu QE(quociente emocional) você é promovido).
(26 de agosto/2006)
CooJornal no 491