
09/09/2006
Ano 10 - Número 493

Arquivo
Tania Melo
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Tania Melo
Batam palmas pra mim
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Todos somos imperfeitos, mas aí é que reside o belo, pois são essas
imperfeições que fazem a diferença entre mim e o outro. Somos seres
únicos.
Quando descobrimos isso, conseguimos NOS ver. A partir daí paramos de nos
esconder atrás de imagens criadas para agradar aos outros e mostramos
nosso verdadeiro eu.
Assim teremos muito mais chances de sermos verdadeiramente felizes e
realizados, coisa difícil de acontecer se conduzirmos nossa vida tão
somente na direção dos aplausos alheios, dando mais atenção ao que os
outros esperam e acreditam em lugar do que realmente queremos.
Quem vive apenas para ser admirado é infeliz, porque esquece do
compromisso consigo mesmo.
Quando nascemos, trazemos um potencial infinito em nosso interior, mas,
por que motivo, ele vai diminuindo, mudando de aparência, se deformando,
até não mais conseguirmos reconhecê-lo?
Conforme vamos tomando contato com a vida em família, na escola e
culminando pelo grupo total de seres com os quais convivemos em nosso dia
a dia, abandonamos os nossos verdadeiros ideais e perdemos o rumo.
Passamos a viver em função dos outros. Medimos o nosso sucesso pelas
reações que nossas atitudes provocam nessas pessoas e não como nós nos
sentimos em realizá-las
Deixamos de lado a maioria de nossos sonhos por acharmos que eles não
servem. Mas não servem para quem? Por terem sido criticados pelos outros,
vão se encolhendo, se encolhendo, até se tornarem tão diminutos que
morrem, ou se transmutam em algo sem a menor semelhança com a semente que
lhes deu a vida.
É necessário aprender a apreciar o que fazemos, superar o medo dos riscos,
independente da distância entre o que pretendemos e o que estamos
colhendo, acompanhados, continuamente pela disposição de seguir pelas
trilhas que ainda nos faltam. Mas tudo isto deve ser embalado por um
querer intrínseco, que não nos transforme em algo diverso de quem somos,
com a distorcida visão de que estamos acertando e conquistando o mundo por
estarmos sendo aplaudidos lá fora.
Na verdade, os aplausos de que precisamos, são aqueles que vêm da nossa
alma.
(09 de setembro/2006)
CooJornal no 493
Tania Melo é bióloga e escritora
Porto Alegre,
RS
tamelo@superig.com.br
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