23/09/2006
Ano 10 - Número 495


 
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 Tania Melo


 
Tania Melo
 


A Distância entre o Virtual e o Real



 

 

Atualmente, o conceito da palavra VIRTUAL não é mais o mesmo que tínhamos há vinte anos.

Tudo o que se concebia como tal, naquela época eram situações bem distantes e opostas ao mundo REAL.

Até mesmo as definições encontradas, ainda hoje, nos dicionários, permanecem como tais.

REAL, vindo do latim, REALE, se apresenta de forma genérica, como algo que tem, de fato, existência, que não é imaginário; verdadeiro. Enquanto que o VIRTUAL, também advindo do latim, VIRTUS, significa algo que existe como faculdade, mas sem exercício ou efeito atual, potencial, possível, suscetível de se exercer ou realizar.

Hoje em dia, entretanto, a realidade ampliou-se, vindo a abranger uma enorme fatia do mundo virtual. Podemos dizer, então, que, por meio do computador, via Internet, um passou a integrar o outro, fazendo parte de nosso dia-a-dia.

Quantas são as pessoas com as quais nos conectamos e conversamos pela rede, em questão de minutos?

Qual o tempo e a possibilidade de tais conhecimentos acontecerem, antes do advento da Internet?

Com a inexistência do micro e da rede, nossos contatos eram bem mais restritos, apesar de serem reais, olho no olho, ou, no máximo, por carta ou telefone.

Existem pessoas com as quais conversamos, em tempo real, nesta rede virtual, mesmo que estejam do outro lado do mundo, sem nunca termos nos encontrado, num relacionamento entremeado de amizade, repartindo alegrias, com troca de confidências, desabafo de angústias e problemas.

Amigos especiais, diariamente, se preocupam em nos enviar um bom-dia, num e-mail colorido, com fundo musical, ou, simplesmente com palavras, empurrando-nos para frente, colocando-nos para cima, percebendo o que se passa em nossa alma, por vezes, muito mais profundamente do que as pessoas que se encontram ao nosso lado.

O que é visto e o que é trocado nas relações e amizades virtuais, não tem como principal o olhar, o tom de voz, o perfume que usamos, a roupa que vestimos. Pelo contrário, os verdadeiros amigos virtuais, enxergam o coração, as palavras, suas formas, alguns sinais utilizados para transmitir a maior ou menor alegria, tristeza, etc. Enxergam o interior.

Por vezes, passamos anos nesse relacionamento, dividindo nossa intimidade, falando sobre nossas famílias, trabalho, estudos e sentimentos, vindo a ter um encontro pessoal muito tempo depois, ou, na maioria das vezes, sem que este nunca aconteça. Isto não diminui a intensidade da relação. Somos amigos reais, com emoções reais. Seres humanos, de verdade, fazendo uso de uma tecnologia inconcebível há duas décadas, que hoje em dia faz parte de nossa vida e da qual não podemos prescindir.

Dentro de toda essa ‘realidade expandida’, obviamente, existem, como em todas as situações, os pontos negativos. Se num relacionamento dito real, fora do computador, corremos o risco de sofrermos decepções, traições, sermos enganados, o mesmo se dá na Internet, talvez de forma ampliada, pelo número de pessoas com as quais trocamos informações, o qual cresce a todo instante.

Entretanto, quando bem utilizada, a realidade dita virtual, nos presenteia com um mundo de conhecimentos, crescimento e trocas com pessoas de diferentes situações sociais e culturais, igualando-nos a todos como INTERNAUTAS.

 


(23 de setembro/2006)
CooJornal no 495


Tania Melo é bióloga e escritora
Porto Alegre, RS
tamelo@superig.com.br