30/12/2006
Ano 10 - Número 509


 
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 Tania Melo


 
Tania Melo
 


NARUSKA



 


Ela é uma criatura especial e minha amiga há muito tempo.

Completamente maluca, mas linda. Dona de um coração enorme. Bondosa, mas quando fica braba... Não cutuquem a onça com varinha curta, porque os arranhões vão ser profundos ou, dependendo da irritação, ficarão apavorados ao ver o tamanho da bocarra que se abrirá pra cima de vocês.

O que mais admiro nela, (inclusive já é público, pois coloquei como depoimento na sua página do Orkut), é a sua capacidade de RIR, com as letras todas maiúsculas, mesmo, muito, das loucuras que apronta.

Chega a sentar no chão, se não tiver nenhuma cadeira por perto, pois não consegue se manter em pé, de tanta risada que dá.

É que as confusões que a Naruska faz, são realmente sensacionais e merecem ser vistas com todo esse bom-humor.

Um estado de espírito que contagia a quem fica sabendo das histórias, pela forma como acontecem e, também, pela ingenuidade com que ela as relata, com uma cara de criança que tinha a plena certeza de estar fazendo ou dizendo a coisa mais certa e clara deste mundo.

Pra vocês terem idéia do que eu falo, vou relatar, rapidamente, uma destas peripécias:

Ela chegou em casa, toda animada, após ter ido, com uma prima do interior, a uma loja de locação de roupas de festa, dizendo: ‘Mãe, tu nem sabes de quem é esta loja. É da neta daquela senhora de quem tu eras íntima amiga, lá fora. A dona Mimosa’.

‘Quem?’ pergunta a mãe, com cara de quem não está entendendo patavina.

‘A dona Mimosa, mãe. Com quem tu passavas as tardes conversando, quando eras bem menina e ela já uma senhora, mas com quem adoravas bater papo.’

‘Tu estás maluca? Não conheço nenhuma dona Mimosa. Nem imagino quem seja esta pessoa.’

‘Mas, mãe, eu trouxe o nome dela, aqui, ó, anotado, com telefone e tudo pra vocês se comunicarem. A neta dela disse que a vó vai adorar saber dessa notícia. Até pediu pra te levar lá, quando formos buscar o vestido’.

Bem, gente, vocês conseguem imaginar que a senhora, amiga da mãe da Naruska, na verdade, se chamava Virgínia? Alguma semelhança com Mimosa? Não se sabe de onde ela concluiu que as duas eram a mesma pessoa. Ninguém faz a menor idéia de como conseguiu enredar tanto o fio pra virar nessa maçaroca toda.

A tal de dona Mimosa, ao receber o recado, provavelmente, também não entendeu nada de nada.

Ao dar-se conta da mancada, vem o melhor: a gargalhada contagiante, que dura um tempão, não permitindo a ninguém ficar sério e nem a ela continuar falando.

Só sacode a cabeça e ri, até não agüentar mais.

Vocês não acham que eu tenho toda a razão em dizer que a Naruska é uma pessoa especial?


 
(30 de dezembro/2006)
CooJornal no 509


Tania Melo é bióloga e escritora
Porto Alegre, RS
tamelo@superig.com.br