24/02/2007
Ano 10 - Número 517


 
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 Tania Melo


 
Tania Melo
 



Se contarem, eu acredito



 


Estava lendo uma revista digital, com atualização diária, aqui do Rio Grande, sobre assuntos relacionados a carreiras e negócios na área de marketing e comunicação, cujo foco principal é o mercado gaúcho, quando me deparei com um texto do jornalista Jayme Copstein, nosso conhecido há muitos anos, por sua atuação em várias de nossas emissoras de rádio, com programas de grande audiência.

Pois o Jayme falava, em sua crônica, sobre algo que comprova já vir de muito longe as ‘mancadas’ e decisões estapafúrdias neste Brasil.

Contava ele que, ainda no tempo do império, alguém teria inventado que a importação de camelos resolveria o problema de transporte no Nordeste, por causa da seca, sabendo-se que estes animais agüentam muito bem o sol causticante dos desertos, sem precisar beber água.

Concordo com o comentarista quando disse que foi uma ‘típica idéia de jumento’.

Teriam adquirido os animais em Paris, por meio de uma entidade, semelhante às atuais ONGs, chamada de Sociedade Imperial da Alienação.

Em 23 de julho de 1859, eles teriam chegado a Fortaleza.

Quatorze animais. Quatro machos e dez fêmeas.

Claro que contavam com a reprodução e criação dos camelos em território brasileiro. Provavelmente as instruções de manuseio e alimentação vieram acompanhando a mercadoria.

Só que, em lugar dos 28 corcovas, nos remeteram apenas 14, pois, em lugar dos camelos, vieram dromedários, que, como todos, hoje em dia, sabemos, têm apenas uma corcunda. Alguns diziam que era defeito de fabricação e outros juravam que tinha acontecido algum roubo e elas iriam aparecer, em seguida, sendo vendidas no ‘camelódromo’.

Quanto à reprodução, também foi outro grande engodo, porque, antes de qualquer gestação e parto, os dromedários já tinham todos morrido.

Concluo, como vocês, que o jornalista estava fazendo uma brincadeira ao relatar esta maluquice, mas eu não acho que fosse tão impossível de acontecer, não. Até mesmo hoje em dia. Com o que tenho visto por aí, nada mais me surpreende.



(24 de fevereiro/2007)
CooJornal no 517


Tania Melo,
bióloga e escritora
Porto Alegre, RS
tamelo@superig.com.br