19/10/2002
Número - 282

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Marciano Vasques
CONVIVE COM TEU POEMA
Carlos Drummond de Andrade
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A senha do mundo. Assim é Drummond. Mestre poético.
Considerado por muitos o maior poeta do Brasil. Homem
fortemente vinculado à Educação.
É a rosa do povo. Em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial
lançou um livro de poema. Anos cruciais, o mundo em guerra, e
o poeta lança um livro de poesia. Sua presença se faz no
mundo através de cada poema que escreve. Sua procura da
poesia nos deixa o verso que é uma solicitação do poeta:
“Convive com teus poemas, antes de escrevê-los”. Faremos isso
todos nós, um dia.
O olhar concentrado. Tímido e profundo. Assim eu o via. Assim
eu o vejo na maioria das fotos. Lembro-me com um sufoco no
peito, do anúncio de sua morte no “Jornal Nacional”. O ano,
1987. Tristeza! Que perda para o Brasil. Mas ele não
suportara a partida da filha. Tento imaginar a dor que
sentia. A sua filha querida, tão amada pelo pacato e querido
poeta.
Lembrei-me também do irreverente “Cometa Itabirano”. Como
amavam o poeta. Em cada edição tinha uma matéria, às vezes,
quase sempre, páginas sobre ele.
O poeta ficava encabulado, constrangido, tímido, dizia em
bilhetes não ser merecedor de tantas homenagens, de tanto
carinho, de tanto colo. Dizia que ficava feliz com a
molecagem, mas que o jornal exagerava. Porém a moçada do
Cometa amava verdadeiramente o seu poeta natal.
Drummond, que escreveu contos saborosos, versos
inesquecíveis, poemas combatentes e poemas de amor. Que teve
poemas musicados, como o seu “E agora, José?”. Drummond, sem
dúvida, o mais querido poeta do Brasil. Doçura e consciência.
É de Minas.
Nasceu no dia 31 de Outubro de 2002, em Itabira, onde se
formou em Farmácia, mas estava mais interessado nos remédios
para a alma.
Lecionou Português e Geografia, tornou-se jornalista,
cronista e contista.
Em 1928, o seu poema “No meio do Caminho” foi publicado em
São Paulo, na Revista de Antropofagia. Nesse ano começa a
trabalhar na Secretaria de Educação de Minas Gerais. Foi
chefe de Gabinete do Ministro da Educação Gustavo Capanema e
trabalhou 35 anos como funcionário público.
A poesia não é feita de obrigações, mas ler Drummond é um
imperativo poético, uma necessidade, um ato inevitável para
se entender a alma do brasileiro fazedor de poesia.
O que são cem anos? O que é um centenário? A vida
cronológica, regida e assinalada por calendários é curta, mas
a vivida com poesia é imensa, em alguns casos, infinita.
Tantos são seus versos...
Como seria bom se o cidadão pudesse regar a sua vida
diariamente com a leitura de um de seus poemas, assim,
despretensiosamente, e ter numa parede de seu escritório um
quadro com um de seus poemas ou então com a foto de seu
rosto, como a dizer: - “Cuide da poesia” - ou então: -
“Convive com teus poemas” – Sim, o país sem dúvida estaria
mais humano se pudéssemos espalhar pelos cantos de cada
cidade, nos monumentos e nas repartições públicas, poemas de
Drummond. Principalmente em cada repartição pública. Afinal
foram 35 anos. Então, como esquecem do poeta?...
(19 de outubro/2002)
CooJornal no 282
Marciano Vasques,
escritor e professor
São Paulo, SP
marcianovasques@hotmail.com
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-023.htm
www.marcianovasques.hpg.com.br
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