11/12/2004
Ano 8 - Número 398

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ARQUIVO VASQUES

 

Marciano Vasques
  

 
VONTADE ABENÇOADA CHAMADA NATAL

 

 

Um ano é feito de desencontros, de palavras silenciadas, de luta e de conquistas. Um ano é uma travessia. Imagine que seja uma balsa sobre águas ora revoltas, ora mansas. Mas lá estamos cada um de nós. O planeta vai cumprindo seu ritual de dar uma volta ao redor do Sol. As estações retornam, as colheitas ressurgem, as flores reaparecem. As chuvas, a poeira, a ventania, a brisa, um ocaso, uma alvorada, um arbusto viçoso, uma árvore frondosa...

Astros ora vaiam, ora aplaudem, ora silenciam num manto prateado diante das nossas incertezas, nossas intrigas, nossa suposta grandeza. Nossas brigas, nossos ais, nossas glórias, e o assovio do vento a romper canaviais, abrindo caminhos, fendas e frestas na aridez dos tórax emudecidos pelas batalhas ingratas.

Dezembro chegou! E com ele os rumos são enfeitados, a boa vontade retorna com força e o que é feio tende naturalmente a dissipar-se. A criança recolhe em seu pensamento simbólico o tesouro de acreditar na magia.

O Natal transformou-se na oportunidade que o humano necessitava para brincar de magia, de novidade que renasce num ciclo que simboliza a vida em plenitude.

A dança, a troca de presentes, a alegria e a felicidade, o agradecimento pela colheita, pela fertilidade, transformou-se nos festejos pelo nascimento do símbolo maior do cristianismo.

Não há necessidade do sectarismo, de se pôr diante dos olhos apenas a visão do consumismo, dos interesses comerciais, isso tudo é real, mas não supera a alma do encanto, a beleza e a paz, a harmonia que desce no manto do Natal, em brilhantes guirlandas que devolvem a esperança aos corações.

Eterna teimosia, persistência da humanidade, o Natal, ao descer sobre a Terra, acata com sabedoria a vontade abençoada que cresce e se multiplica dentro dos que acreditam no sonho. O eterno sonho, de se viver num mundo harmonioso, no qual a justiça há de ser cultivada a cada dia, como se cada dia pudesse conservar fragmentos indissolúveis do Natal.


(11 de dezembro/2004)
CooJornal no 398


Marciano Vasques, 
escritor, poeta e professor 
São Paulo, SP
marcianovasques@hotmail.com  

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-023.htm
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