05/03/2005
Ano 8 - Número 410

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ARQUIVO VASQUES

 

Marciano Vasques
  

 
DIA DE BOMBONS, ROSAS E REFLEXÃO

 

 

As tecelãs do dia vão tecendo lutas silenciosas e abrindo caminhos. Nos sindicatos, na indústria têxtil, nas praças, lá estão elas empunhando bandeiras, lançando seus gritos na multidão. Guerreiras.

A luta pelos gêneros de primeira necessidade, a limpeza do mundo e a organização da casa: são motivos pelas quais elas se movem. Operárias, bailarinas, atrizes, professoras. Estejam onde estiverem, representam a luta universal da mulher para caminhar ao lado do homem. Ser a companheira.

A parceria urgente que pode lapidar a humanidade. Entretanto ainda são oprimidas e lutam pela opressão local, que é um reflexo da gigantesca opressão social sobre os povos do mundo.

Elas conquistaram o espaço com muito sangue e resistência. Sangue que ainda é derramado mundo afora. Meninas prostituídas em fazendas, em campos e nas cidades. Mulheres seduzidas, acreditando em promessas, outras abandonando o filho na solidão da cidade.

Mulheres lustrando o alumínio da panela, pensando no feijão, olhando pelas frestas do zinco, varrendo com a piaçava o chão de terra batida. Em todos os cantos do Brasil as vozes femininas exercem os sons da liberdade.

Às vezes se ocultam nos labirintos do lamento e se submetem ao opressor. Ela, a que preserva a espécie. A mãe.

Em Recife, no Sul, onde uma fêmea consciente estiver a pensar, a ler um livro que seja, a sociedade não estará totalmente abandonada.

Em passeatas que rasgam ao meio uma cidade, coração de giz alfabetizando os filhos da humanidade, colhendo café no campo, vendo frutas na Praça do Pirulito em Maceió, cantando uma cantiga de ninar, oferecendo o seio farto de leite para quem acabou de chegar ao mundo, adormecendo com o fruto de seu ventre a cantarolar suavemente: O cravo brigou com a rosa...

O dia oito de março não é apenas um dia de bombons e de rosas. Coisas que simbolizam gestos de consciência amorosa ou de reconhecimento pelo valor da mulher, mas é também um dia de reflexão sobre a situação dela através dos tempos e a sua evolução rumo ao sentido humano da existência.

O Dia Internacional da Mulher é um dia de bombons, rosas e reflexão. E agradecimento pela incansável força guerreira.


(05 de março/2005)
CooJornal no 410


Marciano Vasques, 
escritor, poeta e professor 
São Paulo, SP
marcianovasques@hotmail.com  

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-023.htm
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