26/08/2006
Ano 10  -   Número 491

ARQUIVO VASQUES

 

Marciano Vasques

 

O PROFESSOR ANTONIO DIAS NEME


 

 

Educadores são personagens reais de uma história de transmissão do saber e generosidade ao outro.

O professor Antonio Dias Neme, que em mais de três décadas de dedicação aos fazeres da escola, completou 34 anos de magistério, tem muitas histórias para contar em sua vida de mestre. Entrou na Educação em 1972 e nunca mais parou. Enquanto transmitia ao aluno o conhecimento, expandia a sua personalidade amorosa. Tantos professores em sua estrada ele encontrou! Quanta gente já abraçou...

O homem que escreveu o prefácio do livro: “Pequenos Escritores”, um trabalho coordenado pela professora Maria Regina de Macedo Rodrigues e que envolveu alunos de sétimas e oitavas séries da Escola Municipal Frei “Mont’ Alverne”, tem uma história de vida digna de aplauso.

Nunca teve uma penalidade, nunca chegou atrasado para dar aulas, e sempre que necessário pegou um táxi. Um exemplo do qual muito se orgulha.

Colaborador de diversos jornais da região, como: Gazeta Penhense, e jornais de sindicatos e associações dos servidores municipais, como o jornal da APROFEM, da APEOESP, o Tribuna Piracicabana, da “Atenas Paulista” como é conhecida a cidade onde ele nasceu, vai levando a vida a produzir e a glorificar a profissão do magistério.

Formado em pedagogia e em letras, atualmente trabalha com EJA-1 no período noturno. Função que lhe traz emoções e alegrias. Uma das coisas que mais o emociona, costuma dizer, é o interesse dos alunos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), inclusive alguns com mais de 80 anos. Os “Heróis da Noite” representam a sua maior alegria no exercício da tarefa educativa.

Em abril estará se aposentando, mas não irá para os aposentos, ao contrário, pretende se dedicar a outros fazeres, tão harmoniosa é a sua vida com a produtividade.

“É com muita honra e uma forma de reconhecimento pela sua participação na sociedade...”, com esses dizeres impressos entregará no dia oito de março um diploma para as mulheres de sua sala de EJA. Foi mais uma de suas idéias. A confecção de um documento simbólico para homenagear as que carregam cadernos à noite e assim demonstrar o seu respeito e carinho por aquelas que tanto contribuem na organização e preservação dos principais valores da sociedade.

O emérito educador não é um caso isolado dentro da Educação Municipal. De um modo geral todos os professores têm uma contribuição na efetivação do magistério mais humanizado. A maioria não adquiriu o hábito do registro, tão caro ao educador, pois se assim o fizesse, tanto teria que mostrar, visto que professor é bem mais do que lousa e giz: é relacionamento, é criatividade, é envolvimento com o outro. Não há como se construir a cidadania sem passar por ele.

Recentemente escreveu para o jornal da AFROFEM que o dia da mulher é todo dia. Em seu artigo oferece ao leitor uma interpretação pessoal sobre a condição da mulher em textos e sociedades antigas. Para ele a mulher sempre é colocada em lugar de destaque, e nas atividades humanas e profissionais às vezes é mais competente que o homem sendo, aliás, insubstituível.

Um exemplo entre tantos que se ocultam no cotidiano escolar, o professor Antonio estará presente na memória de cidadãos que um dia estiveram em seu eterno diário de classe, aquele que registra o amor, o respeito, o carinho e a dedicação.

Cada professor que se aposenta leva consigo uma parte da longa história da Educação.


 


(26 de
agosto/2006)
CooJornal no 491
 


Marciano Vasques, 
escritor, poeta e professor 
São Paulo, SP
marcianovasques@hotmail.com  

http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-023.htm
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