
09/12/2006
Ano 10 - Número 506 -
ARQUIVO VASQUES
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Marciano Vasques
O NATAL NÃO
DESISTE
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"Eu pensei que todo mundo fosse filho de
Papai-Noel..."
O Natal não desiste. Insiste a
cada ano através dos tempos em descer o seu manto sobre a Terra. A maior festa
da cristandade envolve os corações aflitos e endurecidos pelos cotidianos,
enfeitando de amor e de esperanças os seres humanos.
Incentivado pelas artes, pelo cinema, pelo capitalismo por intermédio da
avalanche publicitária que invade os lares pela telinha, não perde o seu
brilho e a sua essência e se torna presente nas guirlandas que enlaçam
corações.
O poeta já quis que o manto natalino trouxesse de volta a poesia ao coração do
homem, e muitos desejam em meras palavras ou em frases profundas que o
espírito do Natal permaneça durante o ano em todas as almas. Ilusão. Mas não
custa sonhar.
Para muitos o Natal ultrapassa o espírito religioso e torna-se uma festa
universal, aproximando-se da passagem dos anos.
Com elementos extraídos primordialmente dos festejos chamados de Saturnálias o
Natal agigantou-se pela inefável necessidade humana de viver em clima de amor.
E sempre insuflou no espírito do Ser uma gratidão amorosa para com a vida, que
se depois é dissolvida pela rotina extenuante retornará no próximo dezembro.
Intempéries, agruras, luta, suor e sofrimentos não conseguem apagar a beleza
indelével da data, que não é alusiva.
O outro lado do Natal? Sim, o comércio investe profundo, e todos embarcam na
vontade sincera de dar presentes e depois se emaranham com dividas alongadas.
O cartão de crédito é um grande auxílio no investimento do coração. No fundo a
grande maioria gosta mesmo é de presentear, embora ganhar presentes também
seja algo reconfortante, pois no gesto de presentear está a certeza de que por
alguém somos queridos.
E as crianças? Para elas o evento é mágico. Mas o nosso é feito de imagens
oníricas, de sonhos de neves. Não vivemos num país de nozes e neves. Ora,
todos os simbolismos atravessam o tempo e se tornam partes da magia. A magia
não tem nacionalidade. Por isso quando o presidente reeleito da Venezuela
proibiu qualquer referência ao Papai-Noel por considerá-lo americano, cometeu
um erro monstruoso. Natal não combina com política.
E que o bom velhinho Nicolau continue a reinar, não como um símbolo
capitalista, mas de encantamento.
Que todos possam ter um Feliz Natal, da forma como ele possa ser concebido em
cada coração.
(09 de dezembro/2006)
CooJornal no 506
Marciano Vasques,
escritor, poeta e professor
São Paulo, SP
marcianovasques@hotmail.com
http://www.riototal.com.br/escritores- poetas/expoentes- 023.htm
www.marcianovasques.hpg.ig.com.br
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