
06/01/2007
Ano 10 - Número 510 -
ARQUIVO VASQUES
|
|
Marciano Vasques
CONSTRUTORES DE
UM NOVO ANO
|
|
A humanidade em sua viagem pelo
planeta ergueu e destruiu "coisas belas". As sete maravilhas do mundo, o
maravilhoso mausoléu, a estátua gigantesca cravejada de ouro, o magnífico
farol. Tantos tesouros edificados, a maioria com o sangue de milhares de
escravos que a história não registra, afinal só interessam os reis, os
imperadores, as rainhas e os faraós. Mas são tantas belezas!
Sistemas políticos e filosóficos, Éticas, que grandiosidade incomparável é a
história do pensamento humano! E outra história é contada diariamente, no
cotidiano, pelas pessoas simples do mundo: engraxates, pescadores,
cozinheiras, tecelãs, mães, pais, operários, maquinistas, homens trabalhando
nas docas, nos mangues enlameando-se para pegar caranguejos, homens
desbravando florestas, subindo serras, trilhando caminhos, cortando mares e
oceanos.
Nas casas, nos vilarejos, nas ruas, nos quintais, nas escolas, nas usinas, nas
oficinas, nas siderúrgicas, nos bares. Histórias infinitas que se multiplicam
e se entrelaçam... E ao redor delas a vida se construindo, a imensa vida, a
pulsar em milhões de tórax. Tecendo-se. Vida que renasce a cada manhã, nos
jardins, nos campos, nos pomares, nos rios, e renova – se na poeira, na chuva,
nas procelas, nas calmarias.
Mas tem algo que só a humanidade percebe e comemora com alegria incontida. A
chegada de um novo ano. Que espetáculo para todos os seres humanos a passagem
dos anos! A contagem regressiva. O surgimento de um novo ano pode simbolizar o
renascimento das esperanças, das promessas e dos sonhos. Todos querem ser
felizes, a humanidade nasceu para a felicidade. Sofrimento é uma anomalia, um
desvio. Sistemas políticos opressores são como doenças: desvios de uma vida em
retidão.
O ano, laborioso e infortúnio, repleto de guerras, de conquistas, de
decepções, de alegrias, de momentos ternos e de momentos bruscos, chega ao seu
final. Se não houvesse a tal parada para as festas, as pessoas enlouqueceriam,
mas é um novo ano que se aproxima. Que poderá ser verdadeiramente um novo
tempo, de gratidão, de harmonia, de quereres, de promessas e de esperanças.
Esperança: desde Pandora é filosoficamente questionada. Todavia é ela que move
multidões, e por ela homens seguem, e por ela pessoas vão à luta.
O que é afinal a passagem do ano? Claro que é mais do que a troca de
calendários. É algo extraordinário, uma das maravilhas da existência. O
planeta em que vivemos completou uma volta em torno do Sol. Sim, enquanto nos
intrigamos ou abandonamos ideais, enquanto talvez tenhamos desistido de um
sonho, ele seguiu a sua rota, o seu ciclo, a sua trajetória e na noite de 31
de Dezembro, o mês da magia, exatamente no derradeiro segundo, completará a
sua volta ao redor do grande astro e tudo recomeçará e estaremos velejando em
nossa nave numa viagem sem fim.
Que todos tenham um feliz Ano-Novo, é o que afinal desejamos para a
humanidade. Que sejamos especialistas em tolerância, em justiça, que saibamos
cada um plantar o seu modesto grão, e possamos nos tornar os realizadores, os
construtores do novo ano. Verdadeiro. Sincero. Produtivo.
Façamos de 2007 um diferencial em nossas vidas.
(06 de janeiro/2006)
CooJornal no 510
Marciano Vasques,
escritor, poeta e professor
São Paulo, SP
marcianovasques@hotmail.com
http://www.riototal.com.br/escritores- poetas/expoentes- 023.htm
www.marcianovasques.hpg.ig.com.br
|
|