1. PEQUENA BIOGRAFIA
Fred Matos, cujo nome civil é Carlos Frederico, nasceu em Salvador
(BA) em 24/10/1952, filho do jornalista e escritor Ariovaldo Matos e da artista
plástica Dalva Matos. É casado com Jandira (Dila) Luna Matos e tem três
filhos: Amon, Isis e Fred.
Escreve poemas desde criança, influenciado pelo ambiente onde foi
criado, militou na imprensa, no Jornal Tribuna da Bahia e na Revista Viver
Bahia, de 1971 a 1979, tendo depois se dedicado ao exercício de funções em
administração e finanças, talvez por isso, somente em 1999 animou-se a
editar seu primeiro livro de poesias, intitulado “Eu, Meu Outro” e foi publicado
nas antologias “Horizontes” da Editora Poesia Diária, "InsPiração Erótica" da
Editora Literarte e no Volume 2 do “Painel Brasileiro de Novos Talentos” editado
pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores.
Tem pronto outro livro de poemas, provisoriamente intitulado "Anomalias" e
um de contos. Recentemente, com um grupo de artistas de Salvador, fundou o
Amanho, Grupo Cultural, que tem como objetivo a produção e difusão em todas as
suas vertentes, para o que pretendem editar periódicos e livros, além da
realização de espetáculos. O Grupo organiza mensalmente um Sarau literário,
teatral e musical e está construindo na internet o seu site (http://www.amanho.poesias.net ).
A página de Fred na internet é no endereço http://sites.uol.com.br/cfmmatos e
lá o nosso leitor pode conhecer melhor o poeta.
2. POEMAS
SE EU FOSSE UM ANJO
Tivesse asas, fosse um anjo,
poderia cingir-te aos braços
sem a volúpia
que me inflama
e não roubaria os beijos
da boca que não me ama.
Poderia, talvez pudesse,
serenar-te o ânimo
murmurando velhas
fábulas
de amizades inumanas;
tivesse asas, fosse um anjo.
Poderia, talvez pudesse,
levar-te às estrelas,
onde se pode
entender
a insignificância de tudo;
tivesse asas, fosse um anjo.
Mas não sou um anjo.
Pulsam, em mim, as paixões
que movem a espécie
humana,
e o meu desejo é maior
que a razão que a hora clama.

EXERCÍCIO ESDRÚXULO
Querendo cantar poema sólido,
mínima retórica e nítida
temática,
procurei perenes palavras mágicas,
sílabas ancípites e estética
própria.
Desejando deificada poética lúcida,
com rimas ricas e métrica
clássica,
sobracei, sôfrego, signos soando líquidos,
pérolas plásticas de
sonoridade acústica.
Melancólico, porém, maturei-o hermético,
elidindo a silepse em silogismo
erístico,
erigindo fátuo, falso ser enigmático.
Falta-me, é fato, tutela teórica e prática
para lograr em verso veículo
lógico
que o abstrato transluza em telúrico.

MINHA NOVA CARA
Guardei a ampulheta numa
caixa
onde é oculta a hora inevitável
e fiz ao mar as cartas do
baralho
para a cigana não poder me ler a sorte.
Não que me importe
com a vida ou com a morte,
mas porque gosto da surpresa diária
de
acordar, envelhecer, fazer a barba
e no espelho descobrir minha nova
cara.

ANOMALIA
Na
anomalia
de volver-me todo dia,
como quem quer encontrar
lucidez onde
é loucura;
desconstruo o que me fiz
quando perdi as
fantasias...
um diz virá quando, enfim,
no mergulho mais
profundo
poderei comungar comigo
a paz de não ser nada,
de não ter
nada,
do nada.

RENDIÇÃO
Vi, nos olhos do gato, a sua ira.
Crispadas, suas mãos promoviam o
paradoxo do afago.
Retesados, os músculos do felino pronto para a
fuga
denunciavam seu ânimo.
Como o bicho, submeti-me às suas
garras,
submisso que sou, por livre vontade,
para meu gozo perigoso, aos
seus desejos.
Vejo o seu sorriso vitorioso.
Compraz-me saber que,
derrotado,
terei em troca o prazer:
prêmio de consolação,
mais
valioso que o do orgulho da vitória.
Prefiro o seu carinho à glória e o
seu amuo.
Rendo-me e rio,
um riso íntimo e silencioso que a expressão
não denuncie.
Conheça um pouco mais de Fred
Matos em sua entrevista ao jornalista Carlos Leite Ribeiro, em Cá
Estamos Nós.