Francisco Simões

Novos Poemas

     





TU

Trouxeste um silêncio atento
Na mansidão do teu olhar
E um sorriso que atenta
Brincando de conquistar.

Levaste no andar o tormento
De pensamentos que pecavam
E no passo voluptuoso e lento
Desejos e sonhos tropeçavam.

Trouxeste um silêncio atento
Mas a voz do teu corpo clamava.

(Setembro/1999)
 

 



O TEMPO E A VIDA

O tempo, o espaço,
O escasso viver,
O infinito em pedaços
De destinos traçados
Entre o bem e o mal,
Entre o ser e o não ser.

Os momentos passados,
O concento, o obscuro,
A rosa-dos-ventos,
O atual, o venturo,
O ser nascituro,
O juízo final.

(Junho / 2001)




IMORTAL

Traz a tua paz para os meus sonhos
E faz que a minha noite seja eterna,
E assim, enquanto a vida hiberna,
Nossas almas, no entressonho,
Vaguearão juntas ao infinito
Num sopro de eternidade e vida.
E numa fuga do que esteja escrito,
Escapando do destino sensabor,
Libertos de incertezas aflitivas,
Distantes do corrupio, da roda-viva,
Buscaremos na esperança mais luzida
A imortalidade desse nosso amor.


(Agosto / 2001)

 



PRIMAVERANDO

O sol inaugura mais um dia.
Colheita da manhã não vivida,
Põe-se tudo onde adejava o nada,
Do eclipse dos sonhos emerge a vida.

O azul se deita no mar,
A paz voejando com a brisa,
Uma vela baliza o horizonte
Berço do infinito, limiar.

A magia floresce e se ateia,
Ocultos desejos se entreolham,
O branco sonha moreno, se bronzeia,
Corpos se secam, sombras se molham.

Encontros e desencontros
Contam-se na areia molhada,
Lento o mar se aproxima, lê
E apaga as páginas viradas.

O Forte vigia a história,
Sentinela posta do passado
Guardando p’ro futuro a memória
E p’ro tempo o aprendizado.

Sol, praia, mar, o evolar das gaivotas,
As lorotas dos pescadores
Suas façanhas, seus amores,
A rede, a escuna, alguém de pileque,
A vida na tuna, o vento moleque
Sempre a brincar com as dunas.

Primavera em Cabo frio
Celebração de luz e de cor
Enquanto a natureza no cio
Perpétua a essência, o amor.


(Setembro / 2000)


 



MURO DO SILÊNCIO

Cala-te coração,
Eu te reprovo, te censuro.
Não derrubes o muro
Do silêncio,
Disfarça a amargura,
Num sorriso que não cura,
Mas te fantasia de não.
O sim não te traz proveito,
Tem algo de proibido,
Hostilizado no preconceito,
Desrespeitado e invadido
Na força da tua dor.
É só teu este amor
Então não te exponhas,
Não renuncies, mas não deponhas,
Pois não és réu, és amante.
Cala-te coração,
Mas leva adiante,
Carrega contigo no peito,
Na alma, no olhar,
Num gesto mudo de vida,
O que esta vida que fala
Jamais compreenderá.
Por favor, coração, te cala,
Ninguém te impedirá de sonhar.

(Outubro /2004)




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