ANTIGAMENTE
Naquela noite em que ficamos hospedados no mesmo Hotel, fomos conversar naquele sofazinho do segundo andar... Antigamente, como era bom namorar!!! Conversávamos com os olhos. De vez em quando, nossas mãos se tocavam... Como era puro esse gesto, no qual somente a sensibilidade dos que se amam podia ser expressa.. Depois fomos para a sacada do hotel. O céu coberto de estrelas, nos fitava. E nós ali, pensando na vida, no amor, na saudade. No dia seguinte, eu iria embora. Ficariam em minha lembrança aqueles instantes de felicidade. E você, voltando aos lugares em que estivemos juntos, já não acharia graça nenhuma, naquele sofá de couro, naquela sacada sem flores, naquele céu sem estrelas... É que eu estaria longe.... Antigamente era tão bom estar com a pessoa amada!!!
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Do Livro Rosas e Espinhos – Jandyra é da Academia de Ciências e
Letras
Quando eu era pequena e acreditava em Papai Noel, ocorreu, certa vez um caso que jamais me saiu da lembrança. Meu pai já estava doente e a Mãe com os encargos da casa, não tinha meios de atender o meu pedido feito a Papai Noel. Não me lembro do que pedi, pois sempre tive facilidade em esquecer os sonhos impossíveis e receber de bom grado o que me era dado. Ao amanhecer do dia 25 de dezembro, encontrei uma caixa com um joguinho de bolas de gude, bonitinho mesmo, e uma carta de Papai Noel: “Minha querida Jandyra
- Mãe, como foi que Papai Noel descobriu que eu gosto de brincar com coisas de meninos? - É porque ele sabe tudo, minha filha. - E veja, que letra bonita ele tem. - Papai Noel é como um Santo. Sempre faz as coisas para agradar a todas as crianças boazinhas... Essa passagem jamais me saiu da lembrança. Eu não conseguia imaginar aquela descoberta de Papai Noel. Como sempre, guardei a cartinha por muitos anos e quando soube da verdade, contada por uma “ amiga da onça”, recordei-me de que, de fato, aquela letra bonita me era familiar - Era da Mãe. Naquele tempo não havia nada unissex. Menina sempre brincava com boneca, bateria de alumínio, conjunto de xícaras, etc. E eu só brincava com meninos mesmo... Depois de tomar conhecimento do fato, passei uma borracha em tudo. A carta continuaria sendo de papai Noel; ele tinha a letra linda como a da minha Mãe... Ele descobriu que eu gostava do joguinho... E gostei mesmo!!! Tanto, que até hoje não me esqueci daquele Natal, quando a situação financeira era ruim, mas “nosso” Papai Noel não me deixou na mão. Aliás, esse Papai Noel fazia tudo por nós nos 365 dias do ano. E continuou fazendo pela vida afora, até que Deus o chamou para a Vida Eterna. Obrigada Papai Noel! Eu sempre serei grata por tudo o que fez por nós
*Do Livro Rosas e Espinhos
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