Jandyra Adami  Neves de Carvalho
    

A   ÚLTIMA  CARTA


             
Do Sanatório, onde vivia seus últimos dias, Gisela escreveu sua última carta.
Ela falava de amor, carinho e ternura:
                  

                              Querido Sérgio,

               Esta é a última carta que lhe escrevo e não sei se devo dizer o que até hoje guardei em segredo, no peito. Só eu sei o quanto me custou calar este amor tão grande, aquela vontade de tomá-lo nos braços e dizer que, sem seu amor, não me interessa a vida.

              Quantas vezes, juntos, conversando, você, alheio ao meu sentimento, contava em palavras singelas suas novas conquistas, seus novos amores...

E eu sofria intensamente e me calava..

                Seria covardia não dizer que o amava??? Não.  É que eu percebia que você em mim só via a imagem da irmã, da amiga, confidente...

                E para que estragar  seu sentimento, deixá-lo sem jeito, por tudo que já tinha falado comigo???

            E hoje, se resolvi escrever contando tudo, é porque eu sei que meu fim está próximo. Não quero levar comigo este segredo. Não acho que deva....

            Quantas vezes alisei  seu cabelo, enquanto você falava de outra.

E quando você ia embora, eu beijava minhas mãos, para sentir seu perfume. Minha vontade era beijar sua boca, apertá-lo em meu peito, sentir seu coração bater junto ao meu.

Você nunca percebeu nada. Foi melhor assim. Se você me amasse, estaria agora sofrendo e sozinho, pois meu tempo está se acabando.

              Daqui do meu leito vejo o campo verde, algumas árvores e o céu azul...

Como é bonito o tempo, a vida, o amor!!!

            Quando esta carta chegar às suas mãos, eu já serei saudade. Não se esqueça de mim, da sua amiga, irmã e confidente.

Eu o perdôo por nunca ter percebido o meu amor.

             Do meu leito de dor, envio-lhe o mais estranho beijo que você vai ter na vida pois só o receberá após minha partida

             Vou parar porque me faltam as forças e a vista se torna escura...

                            Sua, eternamente sua,

                                                             Gisela

 

E, em verdade, Sérgio somente recebeu a carta de Gisela após a sua morte.

E, o mais estranho aconteceu, quando ele revelou, entre soluços e lágrimas:

“-Jamais houve grandes amores e conquistas em minha vida. Faltava-me coragem para revelar o meu amor.

Por mais impossível que possa parecer, foi Gisela a mulher que mais amei...”

 

*Do Livro Rosas e Espinhos- Jandyra é membro  da Academia Santarritense de Ciências e Letras- Já publicou 3 livros; Rosas e Espinhos-  Passarela da Vida e Para Todos os Momentos

e-mail: berju@uai.com.br

 




 
   

 

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