Marciano Vasques

 

Marciano Vasques é autor de literatura infantil e escreve crônicas, artigos, contos e poemas em diversos jornais brasileiros. É nome de Sala de Leitura na Escola Municipal “Dr.José Augusto César Salgado” e venceu um concurso literário com o conto “A Menina que Esquecia de Levar a Fala Para a Escola”.

Participante de diversas antologias, teve poemas traduzidos e publicados no exterior.

É autor dos livros:

- ESTRELAS LOCAIS - Editora Oito de Março - 1984
- CONTOS, POEMAS E CHURROS - Editora Marco Markovitch -1997
- ASSEMBLÉIA DAS PALAVRAS - Editora AVE MARIA-1997
- DUAS DEZENAS DE MENINOS NUM POEMA - Editora Paulus- 1998
- UMA DÚZIA E MEIA DE BICHINHOS - Editora ATUAL-2000
- A NOVA ASSEMBLÉIA DAS PALAVRAS - Editora Ave Maria –breve
- A MENINA QUE ESQUECIA DE LEVAR A FALA PARA A ESCOLA, Noovha América   Editora, SP, 2002
-DUAS DEZENAS DE TRAVA-LÍNGUAS, Noovha América Editora, SP, 2002
-CAROLINE, PRESENTE DE DEUS, Ita Editora, SP, 2003
-O PALÁCIO DOS EUCALIPTOS, Noovha América Editora, SP, 2003
-GRISELMA, A BRUXINHA ASSUSTADA, Noovha América Editora, SP, 2004
-RUFINA,  Franco Editora, MG, 2004

 

 
POEMA PARA MAIO
AS COISAS

A rosa estendia-se além da reza
O riso raso revelava o abismo e o pasmo
Diante da vida que parecia escorrer a esmo, ao léu.

A manhã, a vela, o alarido na vila, o louva-a-deus, o céu.
O trovão, o desenho no chão...
A ferrovia, o barco, a graxa, a hortelã, o arco após o temporal.

Tudo preparava a poesia
As coisas que por mim passavam.
Todas as coisas, tudo...

O pó, o pão, o pai que voltava
O verde ensolarado, a folha lisa, o orvalho, a brisa, a réstia, o mormaço.

Varandas e varais, o cais, o reflexo na vidraça, a fumaça, fagulhas e fogueiras, Natais, o bagaço.
A ventania nos canaviais.
O sino, a rã, o relâmpago, a lã, a luz qu apagou, o sono, o abandono...
Figueiras.

Sinas e quebrantos nas conversas, um menino com versos, prantos e ais.
O soldadinho de chumbo, o alecrim, as orelhas do Dumbo, o capim.
Tudo preparava a poesia
As coisas que por mim passavam...

Todas as coisas, tudo...



 

MELISSA E CELINA

Celina e Melissa

Melissa e Celina               

                Celina e Melissa
                Melissa e Celina

A vida é bailarina
Que a todos ilumina
Quando uma menina
                Fala na sala.

A vida é um palco
A Lua é de talco
O sol é um girassol
No jardim celestial. 

A vida é um vendaval
É a mágica principal
É um belo livro
Para a menina decifrar 

                E bailar
                E amar
                E cantar
                E brincar
                E girar...



Lançamento do Rufina
 

(por Danilo Vasques)


Em mil novecentos e noventa e seis, Marciano Vasques entendeu que tudo que vive fala. Com falas diferentes, claro. E assim, venceu um concurso de contos da secretaria municipal de educação, com o texto sobre uma menina que acordou muda.

Mas de mudez, a infância não é infância. Então, as palavras se ajuntaram em uma assembléia no ano de mil novecentos e noventa e sete. É o primeiro livro infantil de Marciano Vasques. Assembléia das Palavras. Livro jovem, textos leves, criatividade no ar e, no papel, ilustrações de sua filha que permeiam o imaginário infantil.

Vasques é menino de Santos crescido em São Paulo. É de infância de timidez e brincadeiras. De histórias- de -quadrinhos e de estórias longe da televisão. Vasques é da infância de desenhos no chão e das brincadeiras entre as árvores. De papagaios no céu e cirandas na rua. É da infância de poemas que conheceria mais tarde. E o seu livro mais lúdico foi publicado em mil novecentos e noventa e sete quando Vasques agrupou Duas Dezenas De Meninos Num Poema, assim como, da brincadeira do dia de outra forma de sonhar.

Mas o autor sabe que nem só gente dá poema. Pequenos bichos também. E foi assim, observando os pequeninos seres passeando na terra e no ar sem as preocupações do mundo dos seres grandes, que Vasques escreveu o poético Uma Dúzia E Meia De Bichinhos. Livro ilustrado com alma de criança e escrito com o lápis da sensibilidade. É o ano dois mil. Ano do passeio nas palavras.

No ano seguinte, Vasques não publicou livro infantil. Escreveu, é verdade, aqui e ali, mas livro não fez. Fez é ficar vovô. Em junho de dois mil e um, sua netinha Melissa nasce e traz mais poesia para o poeta por natureza.

E a outra garota, aquela que acordou muda sonhou que falava e falou, no livro A Menina Que Esquecia de Levar A Fala Para A Escola. Conto que virou estória do livro publicado em dois mil e dois. Desenho sorridente de menina tímida que um dia sonhou que recolhia um montão de barulho no caminho. Vasques conversa com a meninada com a poesia do prisma no olhar de quase três décadas dando aulas. Vasques é escritor que ensina por excelência.

Simultâneo ao lançamento do livro da menina da escola, o autor quase dobra a fala no refinado: Duas Dezenas de Trava-Línguas. Com ousadia, Vasques desfila sobre um novo fazer poético e agrada com sua escrita aprumada desde o ogro magro ao sogro bravo. Parece até que é o domingo do amigo do mago.

Vasques, letra cada dia mais madura, recorda a infância em seu mais requintado romance. Aquele tempo em que cresceu entre árvores, entre o verde do eucalipto que tem poesia de cheiro, é muito forte. Vasques foi um privilegiado. Suas raízes são o fruto de seus galhos.

Aquela infância mudou, é verdade, as crianças não são nem menos nem mais felizes, apenas o vento que não tem tanta cor, a terra que não é chão, o cheiro de grama que foge no ar e o gosto da chuva na boca que não se sente. Mas imaginação é quase sinônimo de criança. E criança é sempre criança. E as fadas, serão sempre fadas. Em dois mil e três, Marciano convida os pequenos para um passeio no Palácio Dos Eucaliptos e a ficarem encharcados de sol. Oh, todos deveriam abraçar uma árvore!

Neste ano de dois mil e quatro, no comecinho dele, o autor mostra que o tempo é o senhor da vida.

Uma bruxinha, nas mãos de Vasques, atravessou séculos em busca de aventuras e virou livro. É Griselma, A Bruxinha Assustada. Com seus poderes de feiticeira ela brinca com o tempo como a criança brinca com a alegria. E Marciano brinca com as palavras. Ele faz das letras a morada de uma personagem que se assusta com os dias de hoje e o desequilíbrio do mundo. É uma delicada crítica que só um olhar de escritor pode fazer.

E o mundo de bruxas e fadas, de meninas e meninos, mudos ou brincalhões, de palavras e sorrisos, de gente e de bichinhos tão humanos é o mundo de todas as cores da imaginação.

Uma garotinha foi à escola e desenhou uma fada. Uma fada de sorriso tão bonito. Mas uma fada diferente daquelas desenhadas por seus colegas de classe. Que bom que foi assim. Que bom que a fada não é como as outras. Que bom que Vasques escreve com uma caneta de ponta sensível e tinta colorida. Que bom que o filósofo, educador, poeta, pai e avô, é escritor. Que bom que Marciano Vasques escreveu o livro Rufina.

 

Em dezembro de 1984, Marciano Vasques, que dedica sua vida ao magistério, lançou, num barzinho chamado Charlie Chaplin, na periferia de São Paulo, o livro Estrelas Locais. Nunca mais parou.

Em 1985, o poeta, nascido em Santos num dia 26 de agosto, fundou o boletim literário Churros, que circulou entre poetas do Brasil e de países de língua espanhola, divulgando poesia, até o início de 1988.

Em 1996 ganhou um concurso literário da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, com o conto “A Menina que esquecia de levar a fala para a escola”. O caminho estava finalmente decidido.

Na noite de 25 de abril de 1997, lançou numa Escola Municipal em São Paulo, o livro Assembléia das Palavras, ilustrado por Daniela Alves, sua filha. O evento contou com a participação de 300 pessoas.

A partir desse ano, passou a escrever para jornais e desde então publica crônicas, artigos e contos em diversos periódicos (Sua Coluna Vasques na Gazeta Penhense, é lida semanalmente por milhares de crianças. Sua Crônica do Peregrino e a coluna Mundo Literário, publicadas em jornais da Zona Leste de São Paulo, são apreciadas por muitos leitores). Ao mesmo tempo começou a realizar oficinas poéticas e a viajar, atendendo aos convites e visitando escolas.

Lançou também os livros: Contos, Poemas e Churros, Duas Dezenas de Meninos Num Poema, e, Uma dúzia e Meia de bichinhos.

Atualmente, trabalha como Orientador de Sala de Leitura na Prefeitura do Município de São Paulo.

Conheça agora a vida literária e as obras desse autor.  

     


Crônica:  Hematomas da Alma

Texto infantil: Os Amigos do Sapo

O Querer Peregrino

Carta para Daniela Alves


 

 

 

Direção e Editoria

Irene Serra
irene@riototal.com.br 


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