Cel EDUARDO DE ULHOA CAVALCANTI

        

- Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1923;

- Estudou nos Colégios Rezende, (RJ), Grambery (MG) e Aldridge (RJ);

- Foi declarado Aspirante-a-Oficial da Arma de Infantaria, em 4/11/44, pela antiga Escola Militar do Realengo;

- Como Segundo-Tenente integrou o Regimento Sampaio, em operações de guerra na Itália   ( 1945);

- No posto de Major, diplomou-se no Curso de Comando e Estado-Maior do Exército (1959); foi instrutor na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (1960); integrou o BATALHÃO SUEZ, na Faixa de Gaza  (1961); chefiou Sub-Seções e Seções do Estado-Maior do Exército (1962/1968).

- Nos postos de Ten-Cel e Cel, comandou o Segundo Batalhão de Infantaria de Selva ( Belém, PA, 1972) e o Sétimo  Batalhão de Infantaria Blindado ( Santa Maria, RS, 1973/1974);

- Além dos cargos e funções acima, considerados mais relevantes, serviu em Unidades do Exército, totalizando 39 anos de serviços prestados, em cidades dos estados RJ, PB, PA, ES, MS, MG, RS;

- Em todos os locais onde serviu, a admiração pela poesia o levou a buscar estreito contato com pessoas e entidades ligadas a tal atividade, resultando ser correspondente e membro de várias associações, concorrer a inúmeros concursos e relacionar-se com trovadores, poetas e escritores.

- Foi letrista de Canções militares, entre as quais a atual Canção do 7o BIB;

- Passando à inatividade, a pedido, em 1976, trabalhou na Cia Ferro e Aço de Vitória (ES), então do Grupo SIDERBRÁS, onde chefiou o Departamento de Sistemas e Métodos daquela empresa (1976/1983).

- É autor do livro VERSOS INCONFIDENTES, editado não comercialmente, onde estão reunidos 50 sonetos que, orgulhosamente qualifica como "feitos à moda antiga"...        



6 sonetos de Ulhoa Cavalcanti









Ser Poeta...

 
Pudera, de verdade, eu ser poeta!...
No estro abrandar a dor que me angustia;
Sobrepairar nas asas da poesia
O ermo sombrio de minh'alma inquieta. 

Com arte e senso, então, eu mostraria
Que apaixonado verso se completa
Se, em que desnuda comoção secreta,
Bem a recata em véus de fantasia...  

Não colherá da lira fina lavra
Quem no correto emprego da palavra
Expõe, tão só, emanações da mente.. 

Que valerá talento, ou forma, ou tema,
Se não buscares n`alma o teu poema
Que, fiel, exprima tudo que ela sente!..

 



 






  Cicatrizes...


Sobre escombros de amor é dúbio intento
Um novo erguer, de duradoura paz...
A chama que nas cinzas se refaz
Reluz cambiante, tem fugaz alento!  

Ódios, rancores, frustrações finais,
Sempre rescaldos de inditoso evento,
Serão legado pérfido, agourento,
A malsinar futuros ideais.  

E foi assim conosco, duplamente;
Vinhas de mundo insano, já descrente,
Eu mal deixara justo lar desfeito!  

Que ventura esperarmos, infelizes,
Se perduravam fundas cicatrizes
Marcando infausto amor em cada peito?

 

 

 





No poente...


Tão belo quanto é d`alva o azul palente
Tornar-se véu dourado no horizonte,
Espreita e augúrio por que presto aponte
O Sol radiante na manhã nascente,  

É ver, após, o Rei dobrar o monte
E se ocultar, soberbo, no ocidente...
Perante a noite, quase já presente,
Faz que, das sombras, viva luz reponte.  

Feliz quem saiba - e possa - sobranceiro,
Vencidos da existência os dois extremos,
Cruzar com brilho e garbo o derradeiro,  

O Astro imitar na terminal demora...
Ser, no sol-pôr da vida como O vemos:
Quedar, no ocaso, qual se ergueu na aurora!

 









 

 

História de uma flor...


Qual a flor que na estufa resguardada
Cresceu tranqüila, de agressões isenta,
Sem conhecer a ríspida tormenta,
Nem o rigor da fria madrugada,  

Outra vês, tão bela se apresenta
Embora, sem cuidados, germinada;
A ventos fortes resistiu por nada,
Quase a tragou a grota lodacenta!...  

Juntas, porém, na jarra cristalina,
Ninguém, pela beleza, as discrimina
Ou saberá qual foi manchada um dia...

Desta, o fadário quanto lembra o teu!
Só que, se alma tivesse, a flor seria
Grata à mão, que da lama a recolheu...

 

 

 


 

 

 

O Tempo...


Não fugirás do Tempo à rija norma
Que viço empana, formosura arrasta...
Parca sombria, gélida , nefasta,
Sepulta anseios, ilusões transforma.  

Dele não zombe quem , afoito, o gasta
Alheio ao monstro que, minaz, deforma;
Recurva os traços da apurada forma,
Descora e abate a coma espessa e basta...  

E tu, jovem, sorris em desafio
Sem pressentires que da vida o estio
Deixa, ao passar, irreparáveis mossas.  

Que o derrocar dos sonhos chegue suave,
E algum persista, até que o Tempo grave
Na face idosa as marcas de que troças!...

 

 

 

 

 

 

Amizade...


É natural... Entende-se o porquê
De, até o amor mais inspirado e caro,
Aos poucos decair no morno enfaro
De quem em desencanto se antevê...  

No entanto, amor assim, ao desamparo
Não ficará... Que a si mesmo provê,
Qual forte esteio e divinal mercê,
Algo capaz do salvador reparo...  

Vez da Amizade, à placidez propensa,
Recosturar a trama enfraquecida,
Reter calor na chama vacilante.  

Bem que entre nós jamais fará presença;
Nutri falsa paixão por longa vida,
Tu nunca foste, de verdade, amante...

 

 

 



 
   

 

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