Lucy Salete Bortolini Nazaro, é professora de Literatura das Faculdades Integradas de Palmas-Paraná, Coordenadora do PROLER Regional de Palmas e Presidente da Academia Palmense de Letras-APAL, criada pela Academia Paranaense de Letras, em 09 de novembro de 2000. Foi Diretora do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Palmas por oito anos, de 1993 até o ano de 2000.
É
graduada em Letras-Inglês pela Faculdade de Filofofia, Ciências e Letras de Palmas-FAFI; Graduada em Pedagogia, Habilitação Orientação Educacional, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Palmas-FAFI; Cursou Pós-Graduação: Especialização em Língua Portuguesa, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Palmas-FAFI; Cursou créditos do Mestrado em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC; Mestre em Educação, pela UNICENTRO- Guarapuava-PR. e UNICAMP, de Campinas-SP.

É escritora, poetisa, tem diversas obras publicadas em coletâneas e periódicos. É autora dos livros: “Gotas de Chuva” (poesias, pensamentos e crônica); “Quem tem Medo de Gatos e outras estórias” (pela Ed. Vozes- Literatura Infanto-Juvenil); “Castro Alves, Parcelas da História de um Poeta Condoreiro” (Ensaio); “Palmas, uma História de Fé, Luta e garra de um Povo” (história de Palmas). 

Tem vários livros prontos para publicação: “Cultura, reconstrução de um conceito”; “Um Encontro de Episódios” (contos, crônicas); “Pa-Lavras” (poesias); “Palmas- Origem e formação” (história); Gregório de Matos- o primeiro Antropófago brasileiro?”; “Estudando Gonçalves Dias, Cláudio Manoel da Costa e Álvares de Azevedo”; “Coronel Domingos Soares- um Município em Expansão”; “Sindicato Rural de Palmas, uma História Singular”; “História e Histórias do Kaingang de Palmas”, e outros em andamento (de crônicas, contos e poesias).

 É membro do International Writers and Artists-USA. Já conseguiu vários prêmios em diversos concursos de poesias, sendo que recebeu a Torneira de Ouro pela Academia de Letras José de Alencar, no Festival da Torneira Poética e prêmios de publicação, como no “International Poetry-EUA”, “Poetas Brasileiros de Hoje (1986); “Fala Poeta”; “Poetas das Cidades Brasileiras”; participando, assim, de diversas Antologias. Coordenou a Antologia Poética “Poetas de Palmas”. É responsável pela coluna semanal da Academia Palmense de Letras no Jornal “O Palmense”, escreve periodicamente para jornais locais e para a revista “Destaque”. Atualmente tem o “Cantinho da Poesia no Site da Magriça”. 

É alguém que escuta o mundo, o interroga e dialoga com ele através da palavra que lavra no seu dia-a-dia de gente que trabalha e pensa num país melhor.

Sou igual a  cana, conforme diz o Poeta Silas Correa Leite:  mesmo pisados, ralados, moídos, ainda temos que dar açúcar-aula, açúcar-poesia” e por aí continuamos nossas andanças. 

Salete Bortolini Nazaro, RG 1168958-PR, nascida em Caçador-SC, filha de Hilário e Estella Bortolini, criada em Palmas-Pr. É casada com Délio Antenor Nazaro, tem dois filhos (Daniel Ricardo e Klébio Eduardo) e dois netos (Daniel Francisco e José Eduardo). 
Email:
klu@proserv.com.br
End. Rua Bento Stingelin-41- 

Palmas-Paraná-Brasil. 
CEP 85-555-000.


Algumas de suas poesias:
   








 

 


BALANÇO 2

                                    “A imaginação, com o vôo ousado,
                                    aspira a princípio a eternidade...Depois
                                    um pequeno espaço basta em breve
                                    para os destroços de nossas esperanças
                                    iludidas!... (GOETHE)  


não vejo em mim  a faísca do “gênio borbulhante”
para  espalhar livros, “livros à mão cheia”
que faz  o “povo pensar”
semeando na alma e fazendo um batismo de luz
fecundando a multidão
“como um perfume de longínquas plagas”
vejo-me em frouxa penumbra
vejo-me um vulto incerto
meu grito corre marmóreo no espaço
 buscando o esquife devasso
que abriga a solidão
a imaginação é infértil
os vôos ficaram na terra
não alcanço o brilhante condor
restam destroços de uma vida
na certeza dolorida
da eternidade
e mais ... não!





VIDAMOR

Eu li:
Besta, bunda
Foda, porra,
Merda
Fudida
Esvaída
Cambada
Porrada
Fome
Miséria
Desolação
Marginalidade
Prostituição
Eu não vi
Mas me prostei
Diante da nação.

A aurora da vida chegou no crepúsculo do dia
E o amor, tal qual sombra fugidia
Perturba um espírito em repouso
Cuja solitária profusão do amor
Um engano, um engodo,
Uma nova aurora em um novo dia
Fala de milagres, de um início de milênio
Que mal começou
A poesia se foi, ou veio?
A emoção findou, ou se perdeu
Na profusão dos sentimentos
Balançou
Ficou meio sem jeito
Nesse século que mal começou.
Mas é preciso falar sobre ela
A emoção? A poesia?
As duas
Nas ruas
No chão de asfalto
No campo verde, geado
No vento frio, gelado
Embaixo dos pinheirais, enevoados
Na neblina sem fim
Nas lâmpadas mal acesas
Nas casas com chaminés
E lareiras
Cujo fogo aquece
Tal qual a emoção
Um coração
Num novo dia
Da aurora de uma nova vida
Num novo século
Do começo de um milênio
Estranho
Tamanho
Como o amor
Que ora começou
No fim de um dia
..................
Você, tão igual, tão diferente
Indiferente, talvez
Repetente
Solente
Silente
No olhar
Que sonha
E avança sinais
Sem medo
De fronteiras
Barreiras
Que o verde campo
De brilho sem igual
Traga, como draga
Às profundezas
De um pélago
Que pede
E chama a chama
Do amor insano
Que cobre a verdura dos anos
De um campo
Que germina
Um planta
Que não quer nascer
Mas nasce
Sorri
Busca
Recua e avança
Num abraço
Silente
Quente
Sufocado
Espalhando
Mãos que se tocam
E retocam
Num silêncio mudo
De medo
Do falar
E não ser
A fala que se quer




CAMINHO DE MULHER

Este caminho é cor-de-rosa e é de ouro
Estranhos roseirais nele florescem
Folhas augustas, nobres reverdecem
De acalanto sempiterno e louro.

Neste caminho encontra-se o tesouro
Pelo qual tantas almas estremecem;
É por ali que tantas almas se enternecem
Ao divino e fremente sorvedouro.

É por ali que passam meditando,
Que cruzam, descem, trêmulos, sonhando,
Neste celeste, límpido caminho

Os seres virginais que vêm da terra
Mulheres são, do amor e da guerra
Salvando o mundo e sempre iniciando uma nova era





ODE À BOCAGE

Nascido na primavera
Em setembro apareceu
Aquele que aos quinze anos, sua mãe perdeu.
Fugido de sua casa, para praça se ofereceu
E daí para a boemia foi a vida que viveu
Passando pelo Brasil, nossas terras conheceu
Ia para Goa, nas Índias, onde viveu.
Entra para a Arcádia como poeta
E, para as prisões como profeta
Heresia e devassidão a prisão lhe rendeu
E, nos Oratorianos, finalmente se converteu
Foi protegido de Alorna
Uma Marquesa que conheceu
Mas, miséria e abandono foi sua marca, quando morreu.

Com direito a nuvens azuis, arcanjos e serafins
Ao som de cítaras e harpas
Bocage deveria ter vindo ao mundo, enfim
“vagando a terra curva, o mar profundo
Longe da Pátria, longe da ventura
Minhas faces com lágrimas inundo.”
Canta o poeta português
Fazendo de sua hora a sua vez
Ao cantar a estação das flores
Todos os prazeres e todos os amores.
Mesmo que murchos seus clamores
Despertou cruéis furores
Foi um vivo ardor que atrai e queima em chama
O poeta que eternizou a fama
Cotejando Camões aos versos inflama
Na semelhança a que o poeta clama
E eterniza a imortal essência humana
Expõe no tribunal da eternidade
Com honra e luz
O ilustre que à glória faz jus.





REFLEXÃO OUTONAL

 Na calmaria de uma tempestade
 Após o outonal das folhas
 No silêncio de uma alma que voa
 Navegam meus pensamentos em bolhas.
 Quimeras que se explodem
 Ao sabor de qualquer brisa mansa.
 Da insensatez de minh’alma
 Meu pensamento descansa
 Tudo soa vazio, num trilar de asas
 Que sossobram nos recantos mais escondidos
 Perdidos, corroídos
 E se esvaem voando perdidos
 No chão de asfalto de meus sentidos.
 Mas, cá estou, relendo mundo, mesmo que imundo
 Tentando limpar também meus pesadelos
 Olhando para eu mesmo com mais desvelos
 
Catando o naco de amor  e da vida desfiando os novelos.






 
 DESPEDIDA

No solar angustiado de meu coração
Sinto nascer as penas de uma quimera desfeita
Oh! Quanta angústia, quanto grito exala de meu peito
Nessa vazia noite, de total escuridão e de amor desfeito.

Já não sussurra mais o piado das andorinhas ao meu ouvido
Já não há mais promessas de um verão
Sinto que último inverno gelou meu peito
Me aprisionou para sempre na escuridão

Mas há ainda a eternidade. Oh! Fantasia louca de meu coração
Nem tempo tive para falar ao mundo
Para marcar a passagem, e mais não...

Que eternidade pode existir, à carne podre que se desfaz?
À alma perdida que não se encontrou?
Apenas o descanso eterno de quem aqui jaz.

E assim se finda mais uma canção...






O DRAMA DA IMPOTÊNCIA CRIADORA

Cultuando a clausura o poeta se inspira
Nos introduz de golpe na poesia
Quem viveu o interregno da efervescência preparatória
Aos mistérios interpretativos do universo do antes e do agora.

Amante dos nevoeiros, dos hermetismos
E do altivo sonho do absoluto
Abandonou os mesmismos, e entregou-se à influência absorvente do baudelairismo.

Dissolvendo em imagens os elementos dispersos na natureza
Os valores esparsos da beleza
Reordenando-os em valores essenciais
Desprendeu os assuntos da estagnação acumulada
Num conceito acidental de retardos orquestrados
Pelo  eco e pela surpresa liberados.

Viu o sonho em sua nudez ideal
A impotência criadora da ação consciente do artista
“a visão horrível de uma obra pura”
purificando-a com a humana paixão que chora.

Transcendentalizou o mundo
Conferiu simplicidades audaciosas
De extrema beleza e delicadeza
E fez versos com as  palavras

Registrando impressões fugidias
Descobriu o vazio absoluto
Venceu em luz e nostalgia
Concretizou seu sonho
Apropriando-se da beleza
Pela lembrança e pela arte.
Mon cher poét” solitário
de “un coup de dés
dos enigmas da obscuridade intencionada
foi confrontando o vazio com o nada
registrando suas quimeras
de êxito cintilante
Falo de Mallarmé, revestido de mago
Recheando os versos que trago
Numa vivência estonteante.





MORTE INVISÍVEL
                                        (Ode à Manuel Bandeira)

Falo do homem invisível, doente e ultra-sadio
Que construiu sua obra conciliando a existência
De um alto rigor técnico
E uma extrema liberdade, sem a livre vivência

Poeta menor/maior, ex-arquiteto, da “Libertinagem”
Se mostrou inquieto
Vivendo num itinerário de sonho
Da “Pasárgada” e risonho
Acordando o mundo com a “Estrela da manhã”
Impregnada de eternidade.

Mas, quando a “indesejada das gentes” enfim chegou
E a noite com seus sortilégios despontou
O poeta sorriu e a acompanhou devagar
Lembrando do substrato de sua ideação
Da essência de sua temática, invenção
De uma lisa e leve produção
Na comunicação de uma constelação
Pendurando a própria herança nos postes da vida
De um modernismo predatório, meritório
Bandeira “was born” e o poeta “was made”
Com “A Cinza das Horas” surgiu para o mundo
Mas ele sabia que “a vida é uma agitação feroz
E sem finalidade”
Sabia que as palavras são as operárias anônimas que nos fazem viver com mais acuidade.
E ele as usou até a viagem com a “iniludível”
Que veio enfim lhe buscar.








MELANCOLIA

Na calmaria de uma tempestade
Após o outonal das folhas
No silêncio de uma alma que voa
Navegam meus pensamentos em bolhas.

Quimeras que se explodem
Ao sabor de qualquer brisa mansa.
Da insensatez de minh’alma
Meu pensamento descansa

Tudo soa vazio, num trilar de asas
Que sossobram nos recantos mais escondidos
Perdidos, corroídos
E se esvaem voando perdidos
No chão de asfalto de meus sentidos.

Mas, cá estou, relendo mundo, mesmo que imundo
Tentando limpar também meus pesadelos
Olhando para eu mesmo com mais desvelos
Catando o naco de amor  e da vida desfiando os novelos.







ENXAQUECA

Uma cabeça fervente
Incha, estala, se ressente
Saltam os olhos, tremula o cérebro
Aquece o ar que perpassa os olhos
Os vasos, os miolos
E explode pelos poros

A cegueira, a tontura, a ânsia
A dor inconseqüente, sufoca tudo na gente
E perdem-se as pernas, os sentidos, o ar
A vontade de respirar

O brilho ofusca e fere as janelas que vêm o mundo
O som ensurdece o maestro que rege a banda
O trapézio tonteia o ser bamboleante que cai nas cordas
E pede água e um jazigo na escuridão

O povo não sabe, porque não sente
E quer a banda, o brilho, o som, as cordas no ar e
Um palhaço...
A dor fica de lado
E o picadeiro ferve
Neste dia...veio a vaia
Ele falhou
Mas ninguém sabia da cegueira
Da tontura, da ânsia, da dor
Ele havia sido pago para estar ali
Mesmo que, com enxaqueca...





AO LAJEADO DE PALMAS-PR

Um azul que corre mansamente
Vai entonando-se de cores diferentes
Mergulhando no arco-iris ardente
Para tornar-se um rio diferente

Azul, verde...marrom
Que segredos guardam essas águas
Camaleando tons
Viajando dores, espalhando-se pelos mares?

Mata sede, matam-se peixes, mata-se o homem
Que mata o rio
Que foi diferente
Que hoje, ausente
Se ressente
Do azul que não é
Não porque quer
Mas, porque o homem o fez assim
Uma cachoeira que ri de mim
Tirando-me aquela velha história

Era uma vez um rio de águas azuis
Que corria calmamente
Camaleando tons
Navegando águas diferentes
Enquanto nasciam meus dons
De cantar o rio e amar...





O AMOR

O amor é loucura da cabeça dos sonhadores
É o que leva ao auge os espíritos avançados
E ao caos os terrestres seres

O amor é a aventura de poucos
Que vivem ao sol sofrendo quimeras
Resplandecendo luzeiros de primaveras
Ele está na alma, no coração, na visão
E está na calma de nossa canção
O amor? Somos nós
São os anos que ultrapassam os limites da distância
Superam as saudades, as dificuldades
E enfim, encontram-se
Para uma vivência a dois

É assim que te amo, e vejo nós
Sem nevoeiros, sem brumas
Viajando nas plumas
de uma canção:a da tua voz.











 

Irene Serra
irene@riototal.com.br