Sonia
Alcalde

Sonia Alcalde, carioca, recebeu o título de cidadã bageense em 1990. Graduada em Serviço Social/ UFRJ, Especializada em Saúde Mental Coletiva/URCAMP, Sócia-Gerente da Alba Consultoria. Membro do Cultura Sul, Ecoarte e Casa do Poeta de Bagé. Autora do livro PAPOS E PONTOS, em parceria com Sarita Barros. Participação em antologias, boletins poéticos, colabora com jornais de Bagé.

Alguns de seus poemas:





DEU SAMBA

                                                       À Itacuruçá que me viu sambar  

Meus dedos batucam
Nas teclas   c   a   r   n   a   v   a   l
Meu corpo executa
Um samba sem igual
Só meu nesse instante
Dos outros mais adiante
Tomara que gostem
Tem sabor bem tropical
Quente, suado, molhado
Percussão e caixa de fósforo
Embaixo da amendoeira
Na praia do Axixá
Mergulho pra me acalmar
De tanta euforia
Gingas
Loucuradas
No final
Tudo legal!







FADO

Dois ou dor de novembro
De novembro ou qualquer outro
Qualquer dia de sofrimento
De perda,  lembrando o momento

Dois ou dor de novembro
Cabeça baixa, buscando lembrança
Da alegria dos olhos teus
Do adeus, do último instante  

Dois ou dor de novembro
Outros juntaram-se a ti
Outros olhos lembram os meus
Vejo futuro meu.  





INTIMIDADE I

A mulher que está em mim
Que passeia no interior
Não é tão forte
Palavra mais justa — ousada
Galopando na vida
Tirando de letra algumas paradas
Deixando de molho
Outras, pra depois...

 






RUÍDOS

Que ruídos não me deixam dormir?
O túnel do vento
as folhas dançando ao relento
a lata rolando no pátio
o apito avisando o ladrão
o batuque do meu coração
as palavras lotando a cabeça
o prêmio que não ganhei
o mosquito tirando rasante
o relógio tiquetaqueando
o vizinho num som adoidado
o cachorro ainda acordado
o amor ao lado roncando
a chuva espasmodicamente pingando
a boca do rádio rosnando
a corrida do ouro política
o anúncio tinindo euforia
o sobe mais que desce da inflação.
Chega!
 




 OUTONO POP

  Folheio minha agenda
  tenho muita coisa anotada
  mudar de cor
  amenizar o calor
  estender no chão
  tapetes folhados de emoção. . .  

  Quem sabe este ano
  seja diferente
  e consiga fazer mais
  a tempo, no tempo.
  Mexem com tudo!
  Mexem comigo.  

  Vou caprichar
  este ano inovar.
  Dizer às folhas que estralem pop
  sob os pés dos viventes
  beliscando atenção
  em qualquer praça
  dessa estação.  

  Quem sabe
  eu encontre resposta
  quando ao mesmo tempo soltar
  um ar sedutor
  que anime o amor
  pelas coisas da gente.
  Quem sabe!?
 




MANDALMA

Oh, Deus, estou só neste instante
A luz do dia se foi
O calor da lareira findou
Vi a lâmpada queimar
Não tive outra pra colocar no lugar
Vi o menino enxergar
Com os olhos da mulher
Não percebi a cegueira dele, ou minha?  

Oh, Deus, dá-me tempo pra viver
Sonhos ainda quero ter
Ainda tenho vontade de ser
A mulher dos sonhos meus
Na menina que cresceu
Que não se deu conta do tempo
Que esqueceu de pedir a conta
Ao tempo...  

Oh, Deus, talvez sejam muitas palavras
Talvez queiras pouco escutar
Estou aqui pensando
No que vou falar pra mim, quando acordar
Lá, distante
Não posso enxergar com os olhos de hoje
Posso sentir meu coração batendo
Fazendo o que dá, batendo sem parar...
   


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