|

SOMENTE BOSQUES
Desconheço
quantos muros
entulhos
Quantos bosques
imersos
Reinos nobres
ou vagabundos
Desconheço
das cores o verde
tons de azuis
Quantos troncos?
[esqueço-os]
Não os
desmereço
Medo?
Pouca sorte.
Não me fizeram mal algum.
DÉCADAS
Jamais soube existir
barco sem rio ou mar,
rios sem peixes.
Lagoa
sem oxigênio...
Jamais soube existir
peixes sem anzol,
como também imaginar
amarelas folhas de outono
na capa de um jornal.

BONECO
DE BRANCO
De neve
em neve
em breve
renasce
o boneco
branco
e com ele o encanto
em cor [botão]
Sentado,
braço imaginário
[pura sedução]
Fantasia ...
ah, eu quero ser.
Ações militares não economizam vidas e o processo de paz torna-se distante no Oriente Médio.
Para as crianças, em especial para o menino da foto abaixo.
SORRISO
DA GUERRA
Chora-te, terra em conflito
Pequeno menino a tua dor
Gemido de suor destemido
Verás nascer em ti o amor
Morra criança o teu juízo
Aquieta o olhar na espera
Um dia alcançarás do sino
a paz sonora e não austera
Carrega teu corpo vermelho
E o branco sangue da retina
Entre sons inaudíveis, guerreiro
ressuscitarás liberto da agonia
Chora-te moleque moreno!
Livra-te desta pele deformada
Dividas conosco o sal do feno
que nos alimenta enquanto mata.
INSPIRAÇÃO
Escrevo enquanto penso,
e neste transe
me devoro.
Andréa Abdala
a.abdala@uol.com.br
|