Dayse Maria R. Moraes


Conhecer-me
( Do livro: Rosa Vermelha )


Repouso, sob teu olhar inquieto,
curioso, audacioso, pura ternura.
Me espreito pelos teus braços,
te abraço, me apertas,
no desejo de me conhecer...
Eu de face cálida,
olhar irreverente, transparente,
ora malícia, ora inocente,
entrega, sempre...
Repouso sob teu olhar perdido,
de ao tentar me conhecer, silenciar.
E tudo poderia ser tão simples...
Bastaria que me ouvisses sussurrar,
igual onda que mareja,
anunciando o que é o mar...
 

 

Julguem-me ...
(Do livro: Sensualidade da Luz)
 

Julguem-me pelos delitos de amor.
Pelos meus suspiros incontrolados,
pelos meus gemidos desesperados ,
onde confundem-se prazer e dor...
Julguem-me pelo meu desejar,
pela minha pele que queima,
pela minha boca que teima,
a tua boca espreitar ...
Julguem-me pela paixão que me assola,
pelos gritos na madrugada,
pelos tremores na carne tomada ,
pelo teu , que dentro de mim se cola...
Julguem-me pela malícia,
pelas formas indefesas,
pelas entranhas acesas,
ao invadir de tuas carícias...
Julguem-me sem condenar,
pelo cio que me atordoa,
pelo desejo que não me perdoa,
nas horas que me entrego, ao te amar...

 

Sempre viva!
(Do Livro: Noite e Amor)


E tudo ao meu redor é enorme abismo.
As letras flutuam distantes e confusas,
no espaço onde me perdi.
Sinto, vai-se a carne do meu espírito,
que de tão vivo, não mais sabe de si.
Quando eu me for, tudo mais ficará.
Se eu me for, só uma parte irá.
E de mim saberás nas estrelas do céu.
E a mim sentirás, quando a brisa passar.
E meu brilho terás cada sol ao nascer.
E a mim ouvirás nos sussurros do mar...
Se eu me for, só uma parte restará.
Deixei-me nos versos que ficarão.
Poderás seguir por estradas que te mostrei.
Secarás teu pranto com os lenços dos meus sorrisos,
e então perceberás que sempre viva estarei,
em cada lembrança que terás guardada no coração,
do amor que um dia infinitamente te entreguei...



Feroz
(Do Livro: Noite e amor)

Não quero este frio que me apavora,
nem quero esquecer que os reflexos dos meus olhos,
no espelho, desnudaram de alma e corpo inteiro,
teu ser, que por trás do vidro,
refletia-se na ternura do teu olhar...
Quero buscar teu perfume,
nos ares que me refrescam e alienam,
onde confundo a brisa que passa,
com teu cheiro doce, invasivo,
de bicho no cio à procura de sua fêmea...
Quero este desejo que em mim borbulha,
me arrastando pelo espaço, com fogo e calor de astro,
na busca de tua imagem e minha transparência,
que fixei nos céus de qualquer lugar.
Não te quero um ponto distante preso ao infinito...
Quero a consciência de tuas verdades,
e tua declaração de amor à mim,
seja na irreverência dos teus olhares,
ou na profundidade dos teus silêncios.
Quero-te inteiro e meu...
Ver teu corpo marcado nas dobras do meu lençol,
sentir o atrito de tua pele roçando na minha,
arrancando faíscas para iluminar nosso quarto,
e nesta hora, confundir nossas carnes,
misturar nossos sangues,
num pacto voraz com a eternidade...
Quero teu gosto em cada gota da minha saliva,
e de olhos cerrados capitular e render-me..
Deixar que meus urros, sussurros, gritos,
cravem nos teus ouvidos com força e fúria,
a mesma e tal, que a das minhas unhas,
que ferem tuas costas como garras do meu prazer...
Quero beber de teu líquido e fecundar-me a alma.
Permitir-me receber-te entre minhas pernas,
com paixão e fantasia, onde somos,
o enigma e a profecia...
Impregnar-me da tua energia,
para sentir teu perfume e provar teu veneno,
e assim ser feliz,
embriagando-me ou morrendo de amor...
 


 



 

Direção e Editoria

Irene Serra
irene@riototal.com.br 


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