Dayse Maria R. Moraes



Somos Nós
(Do Livro: Cristais de Sonho)


Corte profundo.
Abismo cego.
Em praças do mundo,
meu peito aberto.
Palavras sem fim,
Nas veias da vida.
A cor do carmim,
à brotar das feridas.
Palavras não ditas,
na boca, seladas.
E ao longe tu gritas,
em minha alma calada.
E assim posso ouvir,
o eco de tua voz.
Que me disse ao partir:
Não és tu, somos nós...

 

Tempo sem fim
(Do Livro: Grãos)

Cobri meu rosto com o véu do dia.
De olhos fechados, não quis ver o sol.
Luz e calor a afrontar a frieza,
e entra em conflito meu interior.
Quis fugir do dia e esconder-me na noite.
Tornar transparentes as faces do meu ser.
Por temer o sol, idolatrei a lua,
como se somente a noite, desse-me o viver.
Que explicação daria ao meu sentir?
Qual insanidade toma a consciência?
Será que a verdade tento esconder,
só por não saber porque tanto querer?
Como te encontro no céu entre as estrelas,
e somente à noite tenho esta visão,
que o nascer do dia faça adormecer,
toda inquietude da minha razão.
Quando no horizonte o céu é escarlate,
vindo anunciar que a noite chega, enfim,
posso despertar de torpe insanidade,
para esperar-te em tempo tão sem fim.

 

Ainda que...
(Do Livro: Rosa Vermelha)

Ainda que cales,
eu digo: Te amo...
Ainda que partas,
eu sempre ficarei...
Ainda que esqueças,
eu te guardarei...
Ainda que duvides,
eu serei verdade...
Ainda que me ignores,
serás minha pintura...
Ainda que pareça um sonho,
dormirei contigo...
Ainda que não possas me ouvir,
serás sempre a minha canção...
Ainda que não me toques,
serás minha tatuagem...
Ainda que pareça ilusão,
estarás em minha cama...
Ainda que não acredites,
eu te amarei...




Nas sombras
(Do Livro: Rosa Vermelha)


São nas sombras em meu quarto,
que te procuro,
onde tua presença,
ausente,
faz minha alma calar e meu corpo gemer...
Sombras que se formam como o sorriso,
que aguardo e guardo na mente...
Chamo teu nome,para quebrar a paz,
inferno de sensações...
Silêncio inocente, grito presente,
delírios de um sonho, eu sei...
Não tenho pudor e me visto do desejo,
e me entrego, sem vergonha,
como fêmea, mulher e amante,
vestida pelo teu amor...
E tudo é suor, é sorriso,
suspiro, gemido, grito,
quem sabe, dor...
É neste mundo de espera,
que preciso calar,
para silenciosamente,
poder te amar...
 





 

Direção e Editoria

Irene Serra
irene@riototal.com.br 


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