Douglas Lara



Garimpando reminiscências
Inconstitucionalidade ?

Estávamos caminhando na avenida Ipiranga, na altura da praça da Republica, meu grande e saudoso amigo Joel de Faria Braga e eu. Era um início de noite de outono, muito agradável. Tínhamos saído do prédio do CityBank, na famosa esquina da avenida Ipiranga e São João (em São Paulo), imortalizada por Caetano Veloso. O escritório da Price Waterhouse ficava ali e nós, os solteiros, impecavelmente vestidos chegamos em poucos passos à boate Oásis, local onde iam os ricos e famosos da época.

Aqueles com mais de 50 anos hoje, devem lembrar da boate, logo no início da 7 de Abril. Local famoso por muitas referências, sendo uma a do playboy Baby Pignatary que adentrou com uma possante moto e desceu as estreitas escadas para entrar na boate. Paramos na porta da Oásis, no nível da rua e pudemos ver que naquela noite aconteceria um show com uma cantora famosa. O Joel, da cidade de Casabranca, junto de Jacareí no Vale do Paraíba, um pouco menos caipira que eu (de Sorocaba) decidiu que deveríamos entrar para assistir o show.

Bons tempos aqueles, quando os jovens do interior, que faziam faculdade (nosso caso na USP) sempre eram bem quistos e conseguiam ótimos empregos. Naquela época, podíamos andar a vontade naquela metrópole (com jeito de província) de 1 milhão e meio de habitantes, mesmo pela praça da República e subir a rua Jaguaribe na direção da avenida Angélica. Pessoalmente tinha apenas uma arma, se lembrar no final esta estória eu conto por que e para que era esta arma, tempo da caixa de fósforos que ninguém metia o bico comigo.

Então, e sempre tem um então ou porém na vida da gente, o porteiro secamente nos avisou: -" aqui só entram casais e vocês estão desacompanhados". Foi então que o Joel falou bem alto para todos ouvissem: -" o que o senhor está fazendo é inconstitucional". E, começou a justificar, se estamos bem vestido e sóbrios temos o direito de entrar e assistir ao show, e portanto desejamos entrar e queremos uma mesa para nós (olha o caipira mais velho falando na presença do mais novo, o Lara de Sorocaba). O porteiro insistiu que só era permitido a entrada de casais e ainda acrescentou que não estava vendo nenhum casal ali. Éramos apenas dois homens desacompanhados querendo entrar na Oásis, o que definitivamente não era permitido.

O Joel sempre certo e sabedor dos direitos da pessoa, o que chamam de cidadania hoje, disse em alto e bom tom: -"se o senhor não permitir nossa entrada iremos chamar a polícia". Olha eu atrapalhado, pois tudo que envolvia polícia, me parecia assustador e eu não queria estar no meio. Preferia um péssimo acordo do que uma boa briga. O porteiro disse que não seria necessário chamar a polícia, e solicitou que aguardássemos que ele iria chamar o gerente do estabelecimento. O gerente da boate, também tentou argumentar, na esperança de que desistíssemos.

Foi em vão e por fim, o tal gerente, autorizou que entrássemos.

Dentro da boate queríamos saber onde seria nossa mesa, então o gerente disse: -"os senhores sabem que homens desacompanhados ficam no bar". Isso eu já tinha visto em filmes onde os personagens ficam sentados naqueles banquinhos altos, que até hoje chamo de equilibrista, chego a pensar que a origem da música da Elis Regina, veio daí. O barman nos atendeu com a maior delicadeza, colocando a nossa frente dois copos longos, para wisky e um baldinho de gelo. Perguntou apenas qual a marca que preferíamos, e optei pelo Grants, visto que não existia whisky nacional.

Impecavelmente éramos servidos, sempre que terminávamos uma dose o balcão do bar era limpo com um guardanapo imaculadamente branco e um café fresco era servido. Ficamos curiosos e fomos ver o local onde a cantora iria se apresentar, pois tinha uma cortina que não permitiria vermos nada. Ficamos preocupados em como iríamos ver o show. Neste momento ainda não sabíamos se iríamos 'ver' o show e quanto iríamos pagar para que a boate ficasse dentro da constitucionalidade. O gerente criou uma situação do tipo pagar para ver. Pensava, pagar quanto? Foi então que o barman explicou: -"quando começar o show os senhores vão até a brecha da cortina e assistem pela fresta, em pé". Foi aí que eu perguntei para descontrair o ambiente: - "em pé ou de pé"? Ninguém sorriu, nem sorriso amarelo ...

E, o ritual continuava, whisky em copo limpo, impecável 'grants' no copo, cumbuca de pipoca feita na hora e toda vez que terminava uma dose era servido café fresquinho. Na hora do show assistimos em pé e de pé, muito mal e voltamos a nos equilibrar até que as 4 da manhã, quando finalmente pedimos a conta. Qual não foi nossa surpresa quando verificamos que a conta correspondia a aproximadamente meio salário mensal de cada um. Pagamos com cheque do citybank, que era onde a Price depositava o salário dos funcionários. E, andando para tomar cada um seu ônibus e voltar para casa, concluímos prometendo que não iríamos nunca mais discutir se uma barreira criada como aquela seria ou não inconstitucional.

Esta era a forma de discutir cidadania naquele início de 1960. E nunca mais insistimos em entrar onde não éramos benquistos pelos 'donos' da casa. Fico pensando e rindo quando falamos de cidadania, nos tempos atuais, lembrando deste grande e querido amigo Joel de Faria Braga.

Douglas Lara


 

 
A boa fé, foi assaltada



Cinco mulheres, passaram momentos de horror, graças a boa fé de uma das moradoras de um apartamento localizado na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. A senhora M., que não quer ter o seu nome revelado, contribui com diversas instituições de caridade.

Na útima sexta-feira, dia 11, a dona do apartamento recebeu a visita de supostos representantes de uma instituição, que afirmavam angariar fundos para o Abrigo da Criança com Câncer.

Alegando que receberia a sua pensão paga pela Polícia Militar logo no início da semana, a senhora M. pediu que os homens voltassem na segunda-feira.

No dia combinado, por volta das 10h, dois homens se apresentaram à portaria do edificício, situado na Rua Conde de Bonfim nº 406, identificando-se e imediatamente foram encaminhados para o apartamento da senhora M., que autorizou a entrada dos mesmos no edifício.

No apartamento, estavam também uma senhora de 91 anos, amiga da senhora M. que reside no local. Encontravam-se também uma acompanhante, a cozinheira e a faxineira.

Os criminosos, assim que entraram no apartamento, trancaram as cinco mulheres num quarto. Revistaram toda a casa, onde encontraram um cofre com R$ 9 mil. Os dois homens, sairam do apartamento, onde deixaram as mulheres ainda trancadas no quarto, levando além do dinheiro, jóias e bijuterias.

A acompanhante, Deuzamar de Brito, 50 anos, relatou que os assaltantes estavam calmos e só ameaçaram as moradoras no momento em que o porteiro interfonou para o apartamento.

Nesse momento a cozinheira, que teve a missão de atender a chamada, teve uma arma apontada para a sua cabeça.

Assim que os dois homens foram embora, as mulheres começaram a gritar pela janela sendo então socorridas por PMs, que tiveram que arrombar as portas para retirá-las. A faxineira não se sentia bem e foi encaminhada para o Hospital do Andaraí.

Douglas Lara

 

 
 
Promessa é dívida?


Estamos vivendo um momento histórico importante. Poucas vezes nos deparamos como essa consciência histórica tão presente, tão real. A mudança radical do plano e pensamento político, vem mexendo com o pensamento do povo e dos diversos segmentos de estudiosos incansáveis das áreas sócio-econômico-culturais do nosso país e porque não dizer, do mundo. 

Exatamente! O momento histórico atual tem chamado a atenção não apenas do nosso próprio povo, mas sim de todo o mundo.

Inúmeras promessas, feitas com base em questões importantes para o presente e para o futuro da nação, foram lançadas aos quatro ventos, por ocasião das campanhas que recentemente acompanhamos, através da mídia.

Isso me faz lembrar que o presidente norte-americano, George W. Bush, em uma das suas inúmeras promessas eleitorais, comprometeu-se há alguns meses a destinar US$ 135 milhões para campanhas contra o sexo nos EUA em 2003.

A proposta era a de organizar campanhas de incentivo à abstinência sexual nos adolescentes norte-americanos, até o casamento, objetivando a redução do número de nascimentos não desejados e das doenças sexualmente transmissíveis.

Contudo, o secretário de Saúde, Tommy Thompson, anunciou que o governo está liberando uma verba no valor de US$ 27,7 milhões, destinados a igrejas, escolas ou centros de saúde para a realização de reuniões, com o objetivo de convencer os adolescentes de 12 a 18 anos a não manterem relações sexuais antes do casamento. Thompson acrescentou que esta iniciativa será seguida de uma segunda etapa de subsídios nos próximos meses.

Parte da oposição democrata critica esses programas, exigindo que sejam mencionados, durante as sessões, os métodos anticoncepcionais e de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

 

 





 

Direção e Editoria

Irene Serra
irene@riototal.com.br 


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