Douglas Lara



Me apaixonei e agora?



Como não consigo convencer minha paixão, pensei em algumas alternativas. Durante as primeiras abordagens ela apenas diz que não é o momento certo, que ela não pode por motivos familiares e por aí afora. Tentei de todas as formas possíveis e imagináveis conseguir a atenção, o afeto, enfim todo o amor dela.

Descobri que estava apenas perdendo tempo. Apelei para amigos, na tentativa de conseguir alguns conselhos de como se faz para conquistar uma mulher. Tudo foi em vão. Foi então que resolvi apelar. Fui até uma banca de revistas aqui do bairro e comprei um livrinho de truques e simpatias. Comecei a ler e percebi que o tal guia de conquistas é feito para mulheres, o que não me incomoda em nada. Apenas um fato curioso chamou a minha atenção, que indica que o mesmo foi feito há muitos anos atrás.

O guia recomenda: 'magos e feiticeiras', fiquem atentos! É necessário a máxima limpeza física aos que pretendem executar trabalhos de magia. Não será, informa o texto, necessário vestir-se luxuosa ou ricamente, mas é imprescindível a máxima limpeza do corpo e das roupas. O uso de perfume é recomendável, pois a aura do praticante de magia deve ser altamente atraente.

O objetivo da simpatia ou da magia deve ser sempre positivo, e não deve jamais, prejudicar alguém. O amor conquistado com a ajuda das forças ocultas não durará para sempre, revela o livreto (não gostei desta parte). Geralmente, o período de duração varia entre 3 e 5 anos, ou no máximo 7 (Ah! Isso me parece bom, pois estou considerando meu último caso de verdadeiro e desinteressado amor).

Jamais tente executar qualquer magia ou simpatia antes de transcorrer 24 horas de qualquer relação sexual. Abstenha-se de álcool e sexo por 7 dias após a execução de qualquer simpatia. Nenhuma magia deverá ser executada na fase da Lua Minguante, salvo raras exceções. Não permita a presença de crianças, mulheres grávidas ou em fase menstrual e, principalmente os descrentes. Se é mulher, não faça simpatias grávida ou em fase menstrual.

Todo pretendente a mago, magista, bruxa, feiticeira ou simplesmente estudioso(a), deverá contar com um quarto só para si, mesmo que pequeno, onde guardará o material necessário aos trabalhos de magia. Deverá ... e blá blá blá blá blá blá blá....

Pensando melhor, irei voltar a banca para ver se devolvem o dinheiro pago ou trocam por outro livreto, mesmo que seja um de estórias em quadrinhos ...

Douglas Lara


 


Novas propostas para a terceira idade


O Plaza 50 da Alameda Jau, foi o primeiro prédio residencial construído para pessoas da terceira idade, como era chamado há uns 20 anos atrás. Conheci o tal edifício, atraído que fui, pelo seu restaurante que fornecia refeições, tanto para os seus moradores como para terceiros.

Localizado próximo da rádio Jovem Pan, na avenida Paulista, atraia um grande número de jornalistas e pessoas que trabalhavam na região. O local era bem freqüentado, a comida era boa e os preços razoáveis.

Fiquei sabendo que, aquele prédio fora construído pela Liga das Senhoras Católicas. O projeto fora desenvolvido, visando atender as necessidades das pessoas com mais de 50 anos de idade. Os apartamentos eram pequenos, porém bastante confortáveis. Os moradores não tinham direitos ao imóvel. Os contratos eram feitos para duas pessoas e apenas quando as duas viessem a falecer o apartamento era devolvido para a Liga que cuidava de arrumar novos moradores para o mesmo. Para morar ali, a pessoa ou o casal, tinha que entrar em uma fila de espera.

Quando chamado para assumir o imóvel, havia necessidade de se pagar uma quantia de 'luvas' que efetivamente não representava como valor de compra, tão pouco como valor de locação.

As despesas de consumo de água e gás eram incluídos no condomínio e as de eletricidade eram pagas individualmente, por apartamento. Para conseguir uma vaga no Plaza 50, em geral as pessoas esperavam cerca de um mês ou até que o um dos imoveis fosse desocupado pela morte dos dois condôminos. Os apartamentos eram internamente preparados para idosos, que podiam usufruir de serviço de enfermaria 24 horas por dia e pessoal treinado para atender toda e qualquer necessidade dos condôminos. Os moradores tinham acesso a sala de ginástica e salão de jogos.

Eles se reuniam várias vezes por semana e promoviam jogos de cartas ou bingo. Freqüentemente, haviam palestras no salão de festas, onde eram tratados e discutidos temas diversos. A maioria dos moradores era bastante saudável, tinham seus próprios veículos e apreciavam os prazeres e lazeres da vida.

Agora, passados mais de 20 anos - informa o jornal O Globo - a aquisição de imóveis em apart-hotel, passou a ser sinal de um bom investimento. Temos como exemplo a leiloeira Tereza Brame, de 52 anos, que adquiriu um imóvel, a título de investimento para o futuro, no South Beatch Copacabana Residente Club, que tem como lema o uso exclusivo de moradores de meia idade.

Quando adquiriu o imóvel Tereza imaginou que o desfrutaria, quando seus filhos, hoje maiores de idade, se casassem. Porém, assim que as obras de reforma foram concluídos, Tereza resolveu se mudar, para o seu apartamento pequeno, onde conta com privacidade, segurança e garante o convívio com pessoas da sua faixa etária.

Nos últimos anos, sabe-se que a idade média de vida tanto dos brasileiros, como a nível mundial, vem mudando rapidamente, o que garante uma vida mais longa, mais saudável e conseqüentemente mais ativa e participativa. A velhice, torna-se a cada dia, sinônimo de sabedoria, desencadeando mudanças a nível sócio-politico-cultural. Economicamente, descobre-se nesse filão, um poder ativo cada vez mais crescente o que força a reorganização das estruturas sociais. O Rio de Janeiro, vem realizando um trabalho intenso , com o intuito de atender a cada dia melhor, essa clientela chamada de meia idade.

Douglas Lara

 
 




 

Direção e Editoria

Irene Serra
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