Douglas Lara


 

A propaganda é a 'arma' do negócio

 
Reza a ética, que toda e qualquer propaganda publicitária, deve ser fiel ao produto anunciado, bem como as condições de venda do mesmo. Contudo, observa-se nas mais diversas atividades do país, que existem os bons e os maus profissionais. 

Já é de conhecimento da população a existência do Código de Defesa do Consumidor, que garante ao cliente lesado, pela propaganda enganosa, o direito de reclamar e exigir o cumprimento da promessa feita, seja através de orgãos como o Procon, ou através da Justiça, quando o problema não for resolvido.

E é exatamente isso que está acontecendo, no caso dos financiamentos realizados com o Grupo OK. Um grupo de mutuários, sentindo-se lesado, entraram com ação contra o Grupo OK Construções e Incorporações S. A.

O STJ, em decisão recente, beneficiou os mutuários que foram lesados pela propaganda enganosa da referida empresa, que agora deverá financiar os imóveis nos moldes da CEF, como havia prometido.

Sendo assim, o Grupo OK deverá financiar o restante do saldo devedor dos imóveis adquiridos pelos compradores do Distrito Federal nas mesmas condições e prazos de financiamento que seriam concedidos pela Caixa Econômica Federal (CEF), desde que os mutuários preencham os requisitos estabelecidos.

A empresa queria alterar o contrato por meio de um aditamento sem levar em consideração a opinião da outra parte, o que é ilegal. Pelo contrato com o Grupo OK, os mutuários deveriam receber parte do preço do imóvel mediante o pagamento de 30 parcelas a título de poupança e, sob condição de entrega das chaves, a quitação integral desse valor. Além disso, o financiamento do saldo devedor deveria ser feito pelo sistema de equivalência salarial da CEF. Como o banco não financiou a totalidade do saldo devedor, o Grupo OK tentou repassar o prejuízo ao consumidor.

Ao não concordar com a alteração, os mutuários foram obrigados a requerer na Justiça a nulidade do documento e o cumprimento das condições anteriores. No STJ, os ministros consideraram que a expressão "Financiamento Caixa Econômica Federal" nas peças publicitárias é clara e obriga a empresa a cumprir a promessa, uma vez que esse argumento levou diversos consumidores a assinarem o contrato.  

Douglas Lara
 



Garimpando reminiscências
Orozimbo Roxo Loureiro

 

Durante o curso de bacharelado em Ciências Contábeis, tomei conhecimento das realizações, deste ilustre brasileiro, que muito fez pela pátria. O que eu não podia imaginar, era que um dia, eu o conheceria pessoalmente. Ao aceitar um emprego em Lorena, na década de 60, instalei-me no então renomado "Clube dos 500".

O que poucos sabem, é que às margens da movimentada rodovia entre São Paulo e Rio de Janeiro, é possível se instalar confortavelmente no Hotel Resort & Golf Clube dos 500. Tombado pelo Patrimônio Histórico, este espaço, construído na década de 50 foi projetado por Oscar Niemeyer. O tradicional hotel do Vale do Paraíba, em Guaratinguetá, oferece 600 mil metros quadrados. O café da manhã é oferecido num ambiente ricamente preparado que conta com um painel de parede assinado por Di Cavalcanti. Outra opção é relaxar à sombra generosa das árvores que ornamentam os jardins planejados por Burle Marx.

Este empreendimento foi concebido por Orozimbo Roxo Loureiro para reunir 500 amigos em um clube, banqueiros, políticos e artistas, que ali paravam para descansar durante a viagem. O percurso Rio-São Paulo era feito de carro em geral por pessoas abastadas. O clube ficava praticamente na metade do percurso, proporcionando assim uma parada bastante agradável, aos viajantes. Atualmente administrado pela família Sodré Santoro, que adquiriu o hotel e o campo de golfe em 1991, a propriedade oferece 70 apartamentos. Posteriormente o Bradesco adquiriu o hotel e demais facilidades para transformar o local em um centro de treinamento de funcionários do banco.

O cenário completa-se com trilhas para caminhadas, saunas, quatro bares estrategicamente posicionados, cinco restaurantes, campo de futebol, quadras esportivas, pista de Cooper, salão de jogos, salas de leitura e tevê, além de ambientes específicos para encontros de trabalho.

Quando eu ainda era estudante de ciências contábeis, conheci um pouco sobre as atividades deste grande brasileiro 'Orozimbo Roxo Loureiro'. Quando ele morava em Campinas, produziu o café solúvel no Brasil, posteriormente mudando para São Paulo, onde foi morar na casa de um de seus irmãos e trabalhava como corretor de imóveis. A maior parte das pessoas desconhece, que o banco que ele era proprietário, se me recordo o Banco Nacional Imobiliário, BNI; e, entre suas empresas, havia a Companhia Nacional Imobiliária, CNI, que construiu o Edifício Copan. A CNI era dirigida por um sócio minoritário de Roxo Loureiro, Octavio Frias de Oliveira - exatamente, o da Folha. Foi o primeiro banco a ter filiais na cidade de São Paulo, no bairro da Barra Funda.

Acredito, foi ele também que criou a 'poupança no Brasil', usando como instrumento de captação os 'canguru mirins' que motivavam as crianças a guardar moedas em cofrinhos. Podemos afirmar que foi um dos mentores da SUMOC. Começou com ele a Superintendência da Moeda e Credito (SUMOC), posteriormente sucedido pelo Banco Central do Brasil.

Ainda como banqueiro criou o primeiro clube de executivos do Brasil: o clube Nacional. Posteriormente criou o primeiro 'camping' do Brasil. A casa que foi usada para sede do clube de executivos, tinha sido anteriormente sua residência. Como passei muitas férias no Clube dos 500 onde adquiri uma casa, que mantive durante mais de 10 anos, acabei me aproximando do Dr. Orozimbo, que me contou ser o clube uma fazenda que ele havia comprado anteriormente. Esta fazenda tinha a frente para a estrada velha Rio - São Paulo, tendo sido posteriormente cortada pela via Dutra.

Em uma conversa, solicitei que ele me fornecesse algum material sobre a sua vida. Ele disse que tinha destruído tudo num período de depressão, dando-me o nome de um professor da USP, que tinha sido seu grande amigo e companheiro de muitas jornadas. Passados alguns anos, recebi ainda no clube dos 500, através de um funcionário do Orozimbo, um livro com dedicatória que contava sua autobiografia, de nome 'garimpando reminiscências'. Gostei muito de ter conhecido o que ele fez na teoria e na prática. Registrei em carta o meu agradecimento pelo livro recebido.

Orozimbo Roxo Loureiro, um brasileiro que sempre esteve 20 anos à frente de seu tempo, merece ser para sempre lembrado.

Douglas Lara

 

 




 

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Irene Serra
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