Kali C lançou seu primeiro disco solo, chamado "Parada Cardíaca", em 2002. A cantora e compositora de Niterói (RJ) assina seis das 13 faixas do disco, cuja produção musical é do guitarrista Rodrigo Campello. O álbum tem canções pop com elementos eletrônicos e seu repertório é pessoal, feminino e bem humorado. Os parceiros de composição neste álbum são Drica Novo, Germana Guilherme, Baruk e Jovi Joviniano, que toca cuíca na faixa "Cigarro", feita em parceria com Suely Mesquita.

Além da produção, Rodrigo Campello toca violão, cavaquinho, violão de sete cordas e acordeom. O "Parada Cardíaca" também tem participações especiais dos baixistas Mário Moura, Bruno Migliari e Ricardo Feijão. O clipe da música "Parada Cardíaca", faixa título do CD, foi produzido pela Trampo, dirigido por Márcia Medeiros, com roteiro de Mathilda Kóvak.
Discografia: Parada Cardíaca (2002, independente)

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A ENERGIA DELICADA DE KALI C.
Carlos Calado

Quem já a viu no palco, como tive o prazer de presenciar recentemente, sabe como é difícil tirar os olhos dela. Energia, graça e um toque sutil de sensualidade compõem a persona artística de Kali C. Sua voz delicada e o repertório bastante pessoal, recheado de canções dançantes, já estão deixando de ser segredos apreciados apenas por felizardos que acompanham a cena musical independente do Rio de Janeiro. É só uma questão de tempo.

Não é à toa que ela abre seu álbum Parada Cardíaca com a canção Corro Sim, parafraseando um antigo sucesso de Roberto Carlos. Entre roncos de carros de corrida e uma irresistível batida dançante, como se quisesse entregar de cara seu energético jeito de ser, ela avisa: “Corro demais / corro sim / corro perigo / beiro o fim”. Mas não se trata de pressa ou ansiedade: é mais a urgência de quem tem algo significativo a dizer.

Em suas letras concisas, às vezes cortantes (como em Unhas, parceria com Germana Guilherme), Kali exibe um ponto de vista essencialmente feminino. “Teu beijo de Klimt / faz com que eu me pinte / que eu passe batom / pra chegar no tom / da tua pele eu me aproxime / e assim eu rime / teu beijo com todo beijo / que vejo”, diz ela, na sensual e romântica O Beijo. “Tire a roupa não se vista de ironia / faça o que fizer eu não sou fria / os restos jogue na lata do lixo / porque quando eu amo eu viro bicho”, revela em seguida, com a voz envolta por véus sonoros do Oriente, em Viro Bicho.

Por essas e outras, Kali criou no ano passado, ao lado de Suely Mesquita, Germana Guilherme, Betti Albano, Suzie Thompson e Drica Novo, o original projeto TPM (Taradas por Música). Com essas parceiras, ela forma um grupo de talentosas intérpretes e compositoras baseadas em Niterói (RJ), que ainda var dar muito o que falar – e ouvir.

Como mulher sensível que é, Kali também não abre mão da leveza do humor, mesmo ao tratar temas mais pesados, como a separação amorosa. “Saiu para comprar cigarro e ainda não voltou / espero há mais de vinte anos / acho que acabou / e já vai tarde tchau / e já vai tarde meu amor”, decreta com graça e ironia, ao som de cuíca e scratches de hip hop, na divertida Cigarro (parceria com Suely Mesquita e Jovi Joviniano).

Utilizando sonoridades da nova música eletrônica, sem perder a espontaneidade e o calor, Kali mostra que está plugada no momento atual da música pop e popular. Sua voz e suas canções transpiram um jeito feminino de ser. E, justamente por essa razão, soam universais. Afinal, por trás das duvidosas aparências, não são mesmo as mulheres que comandam o mundo?

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Irene Serra
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