

Casamento
Inesquecível!
A alegria é um ingrediente constante no dia a dia do Homem, muito embora ele às
vezes não a reconheça.
Talvez ela seja a tonalidade que enfeita nosso cotidiano, oferecendo uma gama de
tons e semitons multicoloridos, ou sombreando os traços pretos,
possibilitando-nos apreciar o que há na profundidade da escuridão. Seja qual for
o caso, é uma dádiva oferecida a toda a humanidade, e feliz o que dela se
beneficia!
Isso me lembra uma passagem interessante de três irmãs. Eram bem unidas e
costumavam fazer tudo juntas, sempre que possível. Adoravam a companhia umas das
outras e desfrutavam serenamente esta amizade preciosa e agradável.
Certa ocasião foram convidadas para o casamento de uma prima, onde uma delas
seria a madrinha. A cidade em questão era longe, bem longe, mais ao sul do
Paraná. A previsão da viagem era em torno de 8 horas.
Animadas se organizaram e, após alguns acertos e combinações, decidiram que o
melhor seria irem de ônibus. O marido de uma delas não poderia acompanhá-los,
assim o grupo seria de cinco pessoas.
Saíram bem cedo no dia do casamento, e sabiam que seria uma maratona, pois
deveriam retornar no dia seguinte pela manhã.
Durante toda a viagem divertiam-se conversando e deliciando-se com as paisagens.
Horas e horas de conversa e cansaço não desanimaram o trio, que conservava a
efervescência do entusiasmo natural, das almas singelas e amorosas.
Finalmente chegaram, alquebradas fisicamente, porém, ainda dispostas e
entusiasmadas.
Optaram por hospedarem-se em um hotel, para que pudessem ficar mais à vontade, e
previamente se entenderam com o tio, que providenciou as reservas.
Assim, para
lá se dirigiram ao chegar, e foram descansar um pouco, uma vez que teriam apenas
umas duas horas para começarem a preparar-se para a cerimônia.
Por uma questão de praticidade, a que estava sem o marido, ficou no quarto junto
com uma das irmãs.
Quando foi mais à noitinha, o marido da que estava junto com a irmã, arrumou-se
e desceu, deixando que ambas pudessem arrumar-se sossegadamente.
Logo que se viram sozinhas já iniciaram suas providencias. Foi então que uma
delas ao pegar a toalha de rosto do banheiro, surpreende-se, pois junto com a
toalha, o porta-toalhas despregou-se da parede, indo estacionar, ruidosamente ao
chão!
Passado o susto, foi a coitada consolada pela irmã, e continuaram a se
movimentar. A outra pega o cabide do armário, com a intenção de pendurar seu
vestido, quando o cabide se quebra ao menor toque do vestido. Bem... Tudo bem
pensaram as duas. E num toque de bom humor apurado, uma delas ainda comenta:
Por que você não usa roupas mais finas!
Mesmo um tanto constrangidas pelos contratempos, foram se apressando, pois a
hora passava depressa demais.
Uma delas saiu do banheiro após o banho dirigindo-se ao quarto para buscar suas
pinturas. Ao retornar, encontra a porta trancada. Rindo, sem entender porque a
irmã se trancaria num banheiro da suíte, já que o cunhado não se encontrava lá,
pediu que esta abrisse a porta.
Após algumas tentativas, a que estava no banheiro admite que não consegue abrir
a porta. Como o tempo se escoava ligeiramente, a outra mais que depressa saiu em
busca do marido, pois assim resolveria logo a questão.
O cunhado tenta exaustivamente sem obter êxito e comunica que terá que pedir
ajuda a administração.
Chega a ajuda, todos já estão impacientes, pois o horário está mais que
apertado. O funcionário do hotel transpira e se dedica a tentar a proeza de
abrir uma simples porta, no que é fatidicamente derrotado! Desculpando-se pede
licença e comunica que irá buscar ajuda.
Todos a esta altura encontram-se no limiar da ansiedade, pois a que era madrinha
encontra-se impedida de se aprontar. A que estava em outro quarto chega pronta e
acompanhada do marido, que se dispõe a tentar abrir a danada da porta em
questão. Não obtendo êxito, fica combinado que eles, que se encontram prontos,
deveriam ir para o casamento e no caso de não conseguirem chegar em tempo, esta
tomaria o lugar da madrinha. E assim procedem.
Não demorou muito chega o reforço que em alguns minutos... Arromba a porta!
Um tanto desestruturados e estressados, passam a aprontar-se no menor tempo que
já haviam conseguido fazê-lo.
Dirigem-se para a igreja. Era um casamento de Evangélicos, e acharam por bem
pegar um táxi, antes que se perdessem pela cidade e nem conseguissem ver o final
do casamento.
Lá chegando, descobrem aliviados que haviam sido salvos por conta do atraso da
noiva, e dirigem-se correndo, esbaforidos até a porta de entrada onde encontram
inúmeros casais em fila. Como não estão entendendo bem o que se passa, e com
receio de ficarem colocados em lugar indevido, a madrinha dirige-se à tia, que
parecia estar no comando daquela confusão organizada, e pergunta a ela onde deve
ficar.
A tia olha para a sobrinha e pergunta madrinha de quem ela é. Espantada a
madrinha olha para a tia, para o marido e diz: como de quem eu sou madrinha,
tia! Nem conheço o noivo!
A tia então, parece cair em si e conduz a sobrinha para o devido lugar, sem nem
perceber o espanto no rosto do padrinho que acompanhava a esposa com um ar
solidário e compreensível.
Após o casamento, já na festa, o Tio estando com eles comentava que o dono do
hotel onde estavam hospedados era muito seu amigo. Uma das sobrinhas, com ar
quase solene comenta: Era meu tio... Era!
O tio não se dá conta do pequeno aviso e o grupo todo explode numa risada quase
incontida.
Enfim, todos se recolheram e levantaram-se pela manhã, pois deveriam pegar o
ônibus logo.
Após se prepararem para sair, dirigiram-se para tomar um último cafezinho no
living social.
A viagem transcorreu bem, acompanhada pelas conversas e comentários das três
irmãs.
Ao chegarem na rodoviária, todos pegam suas malas, e uma das irmãs se dá conta
que a dela não se encontra por lá. Procuram e procuram até que alguém pergunta.
“Mas a senhora colocou a mala no saguão?”.
Então...Com um olhar arregalado ela diz:
Mas era para colocar?!
