Quem é este homem?


Quem é este homem que surgiu de mansinho em minha vida,
Que me faz sentir uma pessoa querida?
Que brinca com meus pensamentos
Monopolizando-os, sem cerimônia, a cada momento
Que me embriaga como um vinho borbulhante
Provocando em mim visões inebriantes?

Quem é esse homem, que me chega virtualmente
Quebrando crenças, conceitos em que sempre acreditei
Quem é este homem que me vem subitamente
E de modo displicente,
Faz com que eu ouse o que jamais ousei!
Quem é este homem que muito me intriga
E quase me obriga a ser incoerente?

No silencio de minha alma busco visualizar
Seu perfil, que componho a cada encontro
Dedico-me na arte de imaginar
Enternecendo-me de pronto
Por que me vejo novamente a sonhar...

Não importa de onde vem ou para onde irá
Esta emoção que me envolve docemente
Deixando-me, temporariamente, sem saber como agir
O tempo é o senhor que me dirá
Se tudo não foi criação de minha mente
Num desejo ardente de que ele possa mesmo existir

Mas algo fica de toda esta loucura
Que trouxe Luz ao meu coração
E na rotina colocou sabor
Devolveu-me o sentido da doçura
Que alimenta a verdadeira emoção
Semente fecunda que floresce amor...

 


Eu e Você


Eu sou a energia
E você o movimento
Eu sou a ousadia
Você o discernimento

Sou bicho sofrido que grita
Você é a fera que ataca
Eu sou a emoção que se agita
Você a razão que desata

Sou amor que se esparrama
Todo ele em emoção
Você é fogo em chama.
Queimando em eterna explosão!

Eu sou carinho e ternura
Doçura entregue em pedaço
Você é doce loucura
Que me tortura em seus braços

Sou alma sempre dengosa
Que se alegra no querer
Você, grandeza amorosa
É força, ação e poder

Eu sou a melodia
Toque sutil que acalanta...
Você é letra tardia
Poesia que me encanta!

Eu sozinha não sobrevivo
E lhe digo o porque
Pra sobreviver é preciso
Que haja eu e você...

 




Nós


Eternos parceiros na vida
Cumpliciados na sorte
Duas almas sempre unidas
Que desafiam a morte

Caminham entrelaçadas
Através da eternidade
Seja qual for a jornada
Há sempre cumplicidade

Nossa união é assim
Fundamentada em ideal
Nada em nós esgota-se, enfim
Já que o amor é imortal...

 


O movimento do Vento


Surge veloz o pensamento
Ligeiro como o próprio vento
Mensageiro fiel, mas desatento
Embalando a vida no tempo

Ao meu redor, sussurra o vento
Murmurando ao firmamento
Cantigas que soam a contento
Esbanjado seu talento

Escuto o vento a cantar
Melodia inigualável
Nada posso comparar
É som do imponderável!

E quanto mais eu escuto
O suave farfalhar
Gemidos que não tem ais
Mais me quedo, sóbrio e mudo
Em meio ao balanço do ar
Que envolve todos os mortais.

A vida esparrama-se inteira
Num ato de criação
No sopro forte do vento
Minha alma se incendeia
Explode fogo e paixão
Retendo cada momento

Ouvir o vento silente
Envolvendo o universo
Num abraço secular
Deixa-me muito contente
Sentindo a vida em verso
Que o vento vem declamar

Nada me encanta tanto
Do que o canto do vento
Seduzindo o entardecer
É como doce acalanto
Soprando suave lamento
Embalando meu viver.

 


Espaço do Desejo


O imponderável espaço da paixão
É a infinitude do querer e do sentir
Onde o amor se esparrama indolente.
Preenche o interior do coração
Impedindo-o de resistir
Ao turbilhão desta loucura displicente

A eternidade se esgota em um segundo
No instante em que o beijo acontece
E as bocas se entrelaçam com amor
Neste contato explode a vida em tom profundo
E no fogo da paixão a alma aquece
Dissolvendo-se em lânguido de torpor

Bocas famintas e sedentas
Devoram-se em meio a esta explosão
Retendo o espaço que pertence ao tempo
E a vida que transita desatenta
Compondo a tonalidade da ilusão
Determina a direção do movimento

Ah! Almas, corações, corpos, mente
Olhar, toques, beijo
Uma fatia enorme de eternidade
Sentimentos que exalam perfume que recende
E se espalha com aroma de desejo
Impulsionando a mais louca liberdade

Encaixa-se no beijo o infinito
Liberando da alma a energia
Que impulsiona toda afetividade
Assim o toque das bocas, encontro bendito!
É ápice de amor, contentamento, harmonia
O território da felicidade




 

 

 

Direção e Editoria

Irene Serra
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