Arnaldo Massari

 


Apresentação

Cada um de nós tem um pouco de si e muito dos outros. O pouco é um diferencial que, de certa forma, contribui. O muito esmera o conceito do viver nas indispensáveis comparações.

Dizer de si, sem esbarrar nos tênues limites da vaidade - sempre latente, irrequieta e imatura - das assertivas muitas vezes desnecessárias, não é tarefa fácil, quando se pretende a elaboração de um isento transmitir.

O quase tudo de mim está nos meus trabalhos, que sempre buscaram em palavras vivas e sem retoques levar a leitura aos meandros da razão e do sentimento.

Considero, também, o lado do convincente. Ouvir pelas próprias alocuções é parcimonioso e não tão legítimo como o escutar de outrem, aquilo que desconfiamos de nós, tanto para as possíveis qualidades, quanto para os indefectíveis defeitos. Vaidade não há, a certeza fez ponto.

O que tenho para dar, como todos, é o aprendizado auferido numa longa bagagem de vida, talvez notado em pequenas visões no conteúdo de textos de minha autoria.

O que sempre terei por lamentar é a teatralidade do comportamento humano. Poucos são aqueles que não sobem ao palco.

Arnaldo Massari
arnaldomassari@uol.com.br

 


Alguns poemas

 

OUTRA VEZ...       

HORIZONTES

ESTREMAS      

     


 

Algumas crônicas

 

 

 


OUTRA VEZ. . .

 

Caminhei os caminhos de todos.

Tive tropeços e recomeço.

Fui sonhador e penitente.

 

Somei saudade, somei idade.

Vejo a vida mais sofrida, quando os horizontes da dúvida me intrigam e me obrigam de quando em vez a chorar.

 

Passado e presente de um tempo que sempre relutou em parar.  Não permissivo nunca ouvinte.  Como então, perpetuar sonhos e bons sentimentos.

 

Não me fale, Esperança.  Não me chame, Ilusão.  Deixe-me descansar.  Compareço para a ausência, ao novo encontro com os meus pais.  Assim, voltarei a ser criança outra vez.

 

HORIZONTES


A vida é malha grossa em implicações – finíssima aos respingos.
Os nossos atos levam a fatos, feitos e efeitos, na passagem gratuita da ida sem volta, em caminhos que viram abismos tão logo passamos.


Planos que se renovam, enganos - em miradas às doces verdades.
Recordações, sonhos e pesadelos, de um tempo que demora a passar no desabar das folhas do calendário.
Relógio que bate e que conta, do nunca desconto das horas passadas.

Passos firmes e fracos, visão cristalina, não nitidez.
A mão do fim estendida ao começo, num jogo de apreço terno e eterno, para então, depois, se perder.

Choros e risos que não precisamos buscar. Sentenças infindáveis dos horizontes sobrepostos.

 

 

 



 

Direção e Editoria

Irene Serra
irene@riototal.com.br 


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