
OUTRA VEZ. . .
Caminhei os caminhos de todos.
Tive tropeços e recomeço.
Fui sonhador e penitente.
Somei saudade, somei idade.
Vejo a vida mais sofrida,
quando os horizontes da dúvida me intrigam e me obrigam de quando em vez a
chorar.
Passado e presente de um tempo
que sempre relutou em parar. Não permissivo nunca ouvinte. Como então,
perpetuar sonhos e bons sentimentos.
Não me fale, Esperança. Não me
chame, Ilusão. Deixe-me descansar. Compareço para a ausência, ao novo encontro
com os meus pais. Assim, voltarei a ser criança outra vez.

HORIZONTES
A vida é malha grossa em implicações – finíssima aos respingos.
Os nossos atos levam a fatos, feitos e efeitos, na passagem gratuita da ida sem
volta, em caminhos que viram abismos tão logo passamos.
Planos que se renovam, enganos - em miradas às doces verdades.
Recordações, sonhos e pesadelos, de um tempo que demora a passar no desabar das
folhas do calendário.
Relógio que bate e que conta, do nunca desconto das horas passadas.
Passos firmes e fracos, visão cristalina, não nitidez.
A mão do fim estendida ao começo, num jogo de apreço terno e eterno, para então,
depois, se perder.
Choros e risos que não precisamos buscar. Sentenças infindáveis dos horizontes
sobrepostos.