Arnaldo Massari




A GALINHA, O GALO E O OMELETE



As galinhas brasileiras continuam sendo depenadas. Pelo próprio governo e, pelos seus convivas.

Numa venda de ovos sem precedentes no país, com as dúzias não muito bem contadas, o Sr. Fernando Henrique flambou gigantesco omelete de privatizações. Dessa montanha de dinheiro, que a Sociedade não sentiu nem o cheiro, restou apenas a frigideira e os pratos para lavar. Ainda assim, para revoltar os estômagos vazios, este senhor aparece de quando em vez em público, com ares de vitorioso.

Falando de telefone, mas não no próprio, antes, o impeditivo era o custo da linha. Hoje, um impeditivo muito maior, vem na conta. Não se pode mais cacarejar ao telefone. Nunca se pôde. Não bastasse por si só o excludente valor do serviço, este, ainda, traz um imposto-confisco de 25% um tanto quanto escondido na conta, porque é indecente.

No universo e atualidade do funcionamento das comunicações telefônicas no país, 35% dos aparelhos, invariavelmente, permanecem desligados por atraso no pagamento das contas. A desistência aos serviços, já está nos 15%, não havendo mais ovos para vender e, tampouco, penas para serem arrancadas.

Assim aconteceu com a telefonia brasileira. Os Galos de longínquas granjas bem formadas, obedientes e respeitadores, por contingência, às leis verdadeiramente democráticas do seu país de origem, aqui, chegaram à vontade e em rodopios, cobrindo as galinhas a torto e a direito.

Nessa rinha de todos os interesses, menos àqueles primordiais dos frangos interessados, despontou uma coisa amorfa nominatus Anatel. Um pinto híbrido que, ao invés de ter saído do ovo, surgiu inusitadamente do omelete. As contas telefônicas, mês após mês, com o isso ou com o aquilo, aí estão para o inconteste. As reclamações sobre os péssimos serviços – notórias e recordistas – já galgaram a dimensão de clamor social: - o atendimento ao público, agora totalmente automatizado, usurário aos postos de emprego, complicado e, muitas das vezes incoerente, além de ser um bazar, dificulta sobremaneira o idoso e, menospreza o assinante na sua segurança e na sua legitimidade. Nas tarifas para os serviços técnicos, está a continuação do escorchar.

Curiosamente, o seguir de abusos, prepotência e descalabro, permanecem intocados, e, completando esse quadro dissidente, os deméritos empregatícios com as conseqüentes e seguidas queixas trabalhistas. Se a fiscalização não se faz presente, uma salvaguarda invisível, abjeta e comprometida, vende as nuanças da muralha.

É uma festa da indecência e da conivência. Do muito dinheiro e da sordidez.

Ainda não fosse o bastante, põe-se o vergonhoso e ilegal assunto das assinaturas. Se as Teles não se manifestam, pelo óbvio manto do interesse espúrio, inexplicavelmente permitido e mantido, por que a Anatel não vem a público? Por que não traz para a Sociedade a comunicação devida e, mais que isso, em obrigação? É ou não é a guardiã representante da Sociedade Brasileira, ao cumprimento dos serviços dentro da técnica, da seriedade, da ética e do honesto? Por que, à guisa de um justo esclarecimento à população, a Anatel não divulga os comparativos de valores dos serviços de telefonia em outros países. O que realmente faz a Anatel como gestora do serviço de telefonia no país? Ou, o que já fez?

A surdez e a mudez da Anatel é coisa congênita aos interesses que estariam prevalecendo. O senso da conveniência deixou de existir? O que está acontecendo?

Por que o povo brasileiro há de ser o eterno pasto - sob a complacência de autoridades - de banqueiros de todas as ordens e de multinacionais de todas as bandeiras?

– A resposta é simples: está nos sucessivos governos inebriados aos devaneios do dinheiro e do poder e, totalmente dissociados dos reais interesses do país.

Sina de governo inapto, perdulário e devedor é assim mesmo. Vende tudo o que é do seu povo e do seu país, para continuar devendo. Sina de povo que não sabe se impor é assim mesmo. Ter que conviver com essas aberrações administrativas, maléficas e aproveitadoras.

O povo brasileiro precisa exercer a força da união. Essa força é indiscutível, avassaladora. Em nada adiantam os atos isolados. Esses atos, na sua singeleza, não convencem os insensíveis, os desinteressados e os malandros. Portanto, o povo brasileiro, para encontrar o seu respeito devido e permanentemente usurpado, tem que aprender a dizer não. Um não sonoro e em uníssono.

Até agora, tudo faz crer que Tiradentes sacrificou-se gratuitamente. Não deixando herdeiros, admiradores, e muito menos, seguidores.

 



 

OS PÊLOS DE MARIA MARÃO

 

 

Neta de portugueses, Maria, mulher jovem e portentosa, dona de um corpo esculpido graciosamente sob os côncavos e os convexos da autêntica silhueta feminina, sem ossos ou músculos aparentes, é a figura da fêmea indiscutível, digna dos maiores anseios e concepções masculinas, não fosse a absurda e quantitativa carga de pêlos – provável conseqüência de um raro distúrbio hormonal – que têm distribuído pelo seu belo corpo.

 

No rosto, sobrancelhas encorpadas, buço pronunciado.  Nos seios, cabelos ao redor dos mamilos, formando uma espécie de flor.  Braços com boa cobertura, até um pouco acima dos cotovelos.  As pernas muito cabeludas, além de qualquer extravagante conceito estético e, entre elas, verdadeiramente, algo inusitado: um viço capilar tão exuberante e fartamente abrangente que, ao invés de ser normalmente encaracolado, cai como se fosse um franja, uma pequena cortina. 

 

O seu passar, causa às mulheres inveja, seguida do natural desagravo pelo confortante do antiestético desconto.  Aos homens, desejo agudo de posse, apenas refreado pelos questionáveis pêlos e, talvez, no previsível do sempre temido.

 

Idas e vindas, destino traçado, olhares coincidentes, simpatia mais ainda. Maria e Aristeu trocam as primeiras palavras.

 

Aristeu, rapaz moderno, libido no ápice, não é, podendo-se assim dizer, um macho de carteirinha.  A sua cabeça de sexo, sempre bailou entre o hetero e o homo, sem, no entanto, nunca haver arriscado pôr-se de costas. É apenas um simpatizante enrustido aos tatos assemelhados. As suas fantasias sexuais, - talvez -, o classificassem como um peculiar hermafrodito. Na realidade, sempre buscou a sensação sonhadora de possuir e ser possuído, ao mesmo tempo, numa relação a dois.  Viu no seu novo relacionamento, o chegar bem perto da sua realidade e desejo tão singular.  Olhava Maria, como uma esplendorosa fêmea e, um vigoroso male.  Complicado.

 

Passam os meses, juntos ficam e vivem.  Aristeu sente-se feliz, pois saiu do vestíbulo da sua ansiedade sexual, para uma realidade que agora o faz realizado.  Maria, apesar de zero bala em sexo, adapta-se com grande desenvoltura e, no transcorrer do entre urros e gemidos, da boca seca aos olhos semivirados, estranhando apenas um pouco, as inversões de papel que, a deixam um tanto quanto confusa.

 

Aristeu, só pensa em fazer o isso e o aquilo.  Explora e permite ser explorado por aquele corpo feminino incontestável.  Busca por novidades e, completamente embevecido, começa a se avizinhar do ciúme.

 

Louvando-se em uma das suas idéias bizarras e, acossado pelo receio de uma traição, resolve, sob um pedido delicado e convincente, que Maria permitisse a ele cachear a franja que ela ostenta entre as pernas.  E, assim foi feito.  Com a perícia de um profissional em cabelos, pacientemente, Aristeu cumpre um singular penteado e, para adornar, usando coloridas e pequeninas contas.

 

No cada despir de Maria, os olhos de Aristeu, num imediato fixar, confere o estado e o alinhamento daquilo que fez com tamanho desvelo, quase adoração.  Regozija-se intimamente, ao ver que a sua obra de coiffeur não foi tocada.  Sequer de leve.

 

Mas, - Maria -, não é merecedora dessa desconfiança, pois a sua vida é do trabalho para casa, e assim, diariamente.  Metrô apertado, aquele empurra e empurra, bafos no pescoço e, de quando em vez, protuberâncias que, para ela, mulher fiel, incomodam.  Mas não houve jeito.  Um belo dia no seu regresso para casa em um vagão repleto de pessoas sentiu-se patolada demoradamente, por u’a mão atrevida.  Quanto mais lutava para sair daquela posição, ficava a certeza de que o seu penteado sofria pesados danos.

 

Chegando em casa, defronte ao espelho, Maria ainda tentou ajeitar o belo e intrincado trabalho do Aristeu.  Só fez piorar.

 

Constatação! Por mais que explicasse, não conseguia conter o choro e a ira do seu companheiro.  No entanto, essa revolta aparente, trazia para o íntimo do Aristeu, um chamamento irretorquível para bandear-se definitivamente para o homo.  Não deu outra.  Num daqueles seguidos anoitecer, Maria chegando em casa, deparou com o Aristeu sendo possuído sonoramente.  Aos berros.  Choque para ela, verdadeiro pavor.

 

Volta imediata para a casa dos pais, deixando tudo para trás.  Espírito novo, vontade imensa de somar ao seu formidável corpo, os estéticos dos tratamentos embelezadores modernos.  Depilações generalizadas e ensejos do gênero.

 

Mas, a sina de Maria não mudou.  Agora, mais atraente do que nunca, não sofre somente os assédios dos homens; de muitas mulheres também; e, em cada insinuação, pergunta apavorada para si mesma: - como pode haver tantos exotismos sexuais?

 

- O que Maria ainda não conseguiu ver, é que a sua beleza física esplendorosa e, o seu recato natural - predicados raros na atualidade - a fazem ímpar em convite para o sexo.

 







 


 





 

Direção e Editoria

Irene Serra
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