Alberto Cohen


 

                   01/09/2016
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A Cidade
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A Cidade, agora,
iluminada por mil vaga-lumes
que pousaram, às seis horas,
nos postes de concreto,
faz que dorme no sono das crianças,
caminha com ladrões e com soldados,
ou bebe, irresponsável, nos botecos.
E é bela a Cidade, agora,
quando se despe das corriqueiras farsas
e disfarces de enganar o dia
e volta a ser amoral e ingênua,
pura como no princípio,
corrompida como foi deixada,
nua, absolutamente nua,
nos passos perdidos e assobios anônimos,
no sono das crianças,
no mister dos ladrões e dos soldados,
nos ébrios dos botecos que não fecham,
nos mil vaga-lumes privatizados.



Alberto Cohen


 


 


 

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