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Paixões indisponíveis
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Que
fazer desse segredo
Que me explode o peito
Em dúvidas cristãs, clamores.
Impõe-me culpas que não creio ter
Me proíbe afetos, impõe pudores
Me proíbe você.
Que culpa tem o amor
Se toda forma de amor vale a pena
Se a paixão escolhe os pecados
E rouba a cena
De um amante extraviado.
Se me querem culpado
Por sabê-la tão tarde,
Divide comigo a inglória
Por mostrar-se a outro
Mesmo quando a gente
Se faz tão perto.
Hipócritas virtudes,
Cumpliciadas na distância.
Impedem o toque
Gemidos e cheiros
Nos aprisiona nas ânsias,
Nos lança ao destempero.
Tristes, essas vidas,
Conduzidas
Pelo sacerdócio do silêncio.
Emoções alienadas,
Corpos indisponíveis,
Paixões atormentadas.
Minto
Sobre tudo que sinto,
Mas não quero esquecer
Que quero me perder
Na chama
Que, em segredo, me chama
Que arde no vento, no tempo,
Na solidão dessa cama.
Anderson Fabiano
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