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Fogo sob cinza
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Daqui debaixo,
Assentando-me entre iguais,
Calo-me com tanta volúpia...
Não é justo à lava,
Que hoje se resfria,
E que já foi fogo, um dia,
Conter o ímpeto,
Volúvel, voraz, belicoso
Do vulcão, em sua orgia
De luz e calor.
Você cospe fogo,
Em riscos escarlates,
Tão alto, pra tantos nortes,
Apenas por se atrever
A me provocar...
Mas, não é justo ao vulcão,
Olhando do alto do salto,
Esquecer, que aos seus pés,
Está assim, meio em morte,
Um tanto de si,
Parido de suas entranhas,
Como rochedos estranhos,
Morrendo ao poucos, em vida,
À espera e pronto,
Do inadiável reencontro.
Anderson Fabiano
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