carlos Trigueiro

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   01 de novembro, 2013
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Mãos Cheias
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Tenho as mãos cheias
de anseios molhados,
 de suores destilados,
de sonhos desfeitos em lençóis sem leito.

Tenho as mãos cheias
do céu em pedaços,
nuvens e mormaço,
de caminhos sem passos,
de achados e perdidos
em pomares de sargaços.

Trago as mãos cheias
de dedos do vento,
cunhas do tempo,
crenças de que duvido
e certezas que invento.

Trago mãos cheias de poemas que não li,
de canções sem dó ,re, mi.
de pautas onde escondi
a metáfora dos bem-te-vis.

Trouxe mãos cheias
de noites em vigília
que espreitam a gravidez
das madrugadas
e o parto sem dor das alvoradas.

Trouxe mãos cheias
de teatrais figurações,
gestos, cores, luzes, sons,
personagens a esmo,
máscaras de ninguém,
vozes de mim mesmo.


(Excerto de "Libido aos pedaços" - 2011
- Ed. Record - Rio de Janeiro))


 

Carlos Trigueiro



 

 




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