Fátima de Laguna

 

Outros de seus poemas

- A chuva se pertence
- A energia do medo
- Alma de tudo
- Da alma, da carne, da civilidade
- Fantasia violeta
- Mãe crônica
- Meu reino por um picolé de butiá
- Parece incrível
- Rap da Cinqüentona
- Sentença de vida
- Tatibitates
- Um moço
- Um pouco monótono

Crônicas no CooJornal

 

        05/07/2008
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TECIDAS MANHÃS
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Não há galos nas redondezas
Bem-te-vis já tecem a madrugada
Aguardo, espreito com a máquina
ao alcance de um bote rápido
Ainda friozinho, o ar passeia na varanda.
Por trás dos prédios já se espalha o vermelhão
Chego até a sacada, lá vem!
Ele soberano, e eu, colhendo seu esplendor
Uma, duas, vinte, quarenta vezes!
Tento roubar, cor e frescor desta praiana manhã...
É Laguna !
Não, não há galos nas redondezas, mas irrequietos sabiás,
pardais e quero-queros também tecem o amanhecer
São os minutos iniciais do cerimonial. Testemunho.
Fotografo, me envolvo.
Ele soberano, súdita eu, colhendo-o
O vermelhão agora vai tingindo mesmo
todos os vidros dos prédios
Questão de segundos e um alaranjado, vai tomando conta das nuvens.Continuo colhendo todas as poses
Vai se dourando a sala e eu, ficando rica de repente,
diáfano meu coração e também meu pensamento
A passarada, insistente, agitada, tece ao léu

Penso no amor, nos amores, colho mais 21 vezes
A sala fica toda dourada com jeito de paixão
Passarada em vôos lilases, rosáceos, alaranjados, vermelhões, riscando, tecendo no espaço que a luz colore. Ao léu!
Meu coração também vai tecendo, vermelhões, alaranjados,
lilases, dourados e cheio de passarinhos, vai tecendo...
Fica rico de paixões.
Ao léu!
 


Ma. de Fátima Barreto Michels


 

 




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