Fátima de Laguna



 

Atualizado em 18/08/2007
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A CHUVA SE PERTENCE
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Dona de si própria é a chuva.
Na poesia, a chuva se pertence.
Na ciência tem causas e efeitos.
Eu não chovo.
Chove. Ela chove só pra ela.
Quando acontece de eu olhá-la,
a chuva não se importa comigo.

Tento chover com ela parece que
seria tão bom poder chover-me
escorrer-me para o rio e marear-me
Fico pertinho na vidraça fechada me encostando

Quando chove, vejo que todos somem da rua
é nesta hora de solidão comungada que você
poderá chegar e então,
do vazio far-se-á o pleno de nós

por muito tempo contemplaremos
a chuva que,
transparente e tão sem roupa,
irá deixando bem leve a gente

Não nos importaremos com ela
ao lembrar que nos pertencemos
Ela chove só pra si. Nós chovemos só pra nós.

Ficamos pertinho nos encostando, nos mareando
Transparentes, tão sem roupa, deixando a chuva bem leve
A chuva se pertence. Ela pára quando quiser.
Pertenço-te.
Só paras quando quiseres.



 

Maria de Fátima B. Michels



 

 




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