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Meu reino por um picolé de
butiá

Tal qual Gepeto invento e modelo
Não um menino. É meu castelo
de mentirinha, na areia do mar
Num afã de coelho de Alice, corro contra o tempo
Não desalento. Meu intento é passatempo, numa vidabutiá
Não abro mãos. Uma é na areia, na outra, picolé, de butiá!
Saltem degraus, cavalariços noviços !
Ponham aqui e acolá, mudas de tal maneira
que tudo seja palmeira. Seja pé de butiá!
Na firmeza da areia movediça
calabouços vou fazendo, e muita ponte levadiça
Um castelo ergue-se na eternidade de um picolé
Espalhem por todo o meu reino, mudas de butiá,
imediatos postiços!
Contra aríetes? Tapem com peneira de palha de butiá,
e sol mortiço
Cafundós para pegar bobos e reis, dissimulem, com palha de butiá,
homens omissos!
A princesa lá na torre, que coincidência!
Justo “naqueles dias” virou Ismálialua, lambeu o castelo libelo,
na mudança da maré
Eu? Olho o mar. Não abro mão. Nem pé. Vidabutiá... picolé... picolá...
Texto e imagem por Ma. de Fátima Barreto Michels
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